Faemg se reúne com produtores rurais de Brumadinho para levantar prejuízos e buscar recuperação

Mariana Durães
04/02/2019 às 19:10.
Atualizado em 05/09/2021 às 16:23
 (Mariana Durães)

(Mariana Durães)

A fim de levantar quantos produtores rurais foram atingidos pelo rompimento da barragem da Vale, quais os prejuízos e necessidades deles, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG) esteve na cidade na tarde desta segunda-feira (4).

“A gente começa a pensar em ajudar a resolver problemas econômicos da região. Estamos à disposição da Vale para ajudar a fazer um projeto que atenda aos agricultores”, disse Roberto Simões, presidente da Faemg.  

Segundo ele, é possível analisar quantos têm débitos com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que financia o pequeno agricultor, inclusive para quitar as dívidas. Isso, porque, a maioria dos atingidos não tem mais como produzir ou escoar a produção.

Atingidos

Nesta segunda-feira, o Hoje em Dia mostrou que a rotina de cerca de 180 famílias de produtores rurais foi destruída pelos 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério após o rompimento da barragem Córrego do Feijão, conforme dados do Ministério da Agricultura. 

As verduras e legumes de Sadi Barbosa, de 69 anos, eram vendidos, principalmente, em Mário Campos. A casa do idoso não foi atingida pelos rejeitos, nem a irrigação interrompida, mas o caminho para escoar a produção ficou complicado.

“Estou sem vender minhas mercadorias, porque o caminho não compensa. Antes percorria 20 quilômetros e agora, com as estradas fechadas, tenho que percorrer quase 200”, afirma o morador da zona rural de Brumadinho.

O maior medo de Barbosa é perder os produtos e não receber nada para arcar com o prejuízo. 

Incerteza

“Minha horta virou um cemitério. Nunca mais vamos plantar lá”, conta Soraia Aparecida Campos, de 41 anos. 

A horta na qual era meeira e plantava as verduras e legumes de seu sustento foi completamente engolida pela lama. Junto dela, outras nove famílias perderam o sustento que vinha da mesma terra. 

Na região do Parque da Cachoeira, onde a agricultora mora e é membro da associação de moradores, foram quase 20 grupos familiares afetados. 

Agora, ela luta para encontrar uma solução. “Não sei o que vou comer amanhã. Então peguei essa doação da Vale, mas não é suficiente para pagar minhas dívidas”, afirma. Segundo ela, a resposta da empresa para estas questões é de que “precisa de avaliações”.

Indenização 

A mineradora anunciou uma doação de R$ 15 mil a quem atuava no campo. Os trabalhadores, porém, não concordam com a quantia. 

A Faemg também pede que haja uma indenização imediata, para que estas pessoas consigam sobreviver mesmo sem suas plantações. Além disso, a federação afirma que é preciso fornecer água para abastecimento doméstico.

“Alimentação e água para o rebanho também. Já para a irrigação, não vejo solução imediata. Terão que tentar trabalhar a água do rio para ser usada quando possível. Até lá haverá perdas”, diz. 

Futuro 

Para um futuro de médio prazo, a proposta da federação é instalar na cidade um ponto de atendimento do Sebrae, que realize treinamento para jovens com curso agrotécnico e instalar a casa mineira de empreendedorismo.

Roberto Simões explica, ainda, que é possível fornecer ajuda jurídica. Ele, por outro lado, não é a favor de judicializar a questão e acredita que acordos com a Vale podem trazer respostas mais rápidas. 

Tragédia

O número de mortos na tragédia chegou a 134, sendo 120 identificados pelo IML. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil, 199 continuam desaparecidos. Os localizados são 394. A próxima atualização será feita na quarta-feira (6).

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