
Quatro homens, com idades entre 21 e 34 anos, foram presos em flagrante na noite dessa quinta-feira (27), suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada no desvio de cargas de uma fábrica de eletrodomésticos, localizada no bairro Olhos D'água, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. O esquema, classificado pela polícia como "sofisticado", envolvia funcionários e ex-trabalhadores da empresa e gerou um prejuízo estimado em, pelo menos, R$ 1 milhão.
De acordo com a Polícia Militar, os detidos, que agora são investigados pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e receptação, utilizavam notas fiscais falsificadas ou com datas de emissão adulteradas, adquiridas por meio de um terceiro em São Paulo, para liberar as cargas de produtos manufaturados, como tanquinhos, depuradores e fogões.
O esquema foi desvendado após um motorista de caminhão, de 37 anos, contratado para o frete, desconfiar da pressa dos carregadores e da nota fiscal. Segundo o tenente Mateus Moyses Lemos, da 126ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar (PM), o motorista estranhou o endereço diferente do combinado e procurou um funcionário da empresa.
A partir da checagem, a fraude foi constatada. "Ao verificar a nota fiscal das mercadorias, esse motorista percebeu que o endereço era diferente do que o contratante tinha passado para ele", detalhou o tenente.
A investigação interna da empresa, que já durava cerca de cinco meses, após a constatação do sumiço de produtos, ajudou a identificar os envolvidos.
Após a denúncia, a PM deu voz de flagrante a um funcionário de 34 anos, responsável pela expedição, que confessou o envolvimento após ser abordado. Ele alegou que estava sendo pressionado por causa de uma dívida relacionada a desvios anteriores na empresa.
A PM conseguiu localizar e prender o homem de 29 anos, ex-funcionário e apontado como "cabeça" do esquema e responsável por articular as notas fiscais falsificadas. Outro ex-funcionário, de 21 anos, que havia sido desligado em outubro de 2025, também foi detido por repassar informações internas para a saída das cargas com notas frias.
Galpão em Betim
A PMMG ainda chegou a um galpão em Betim, na região metropolitana onde um receptador dos produtos, um homem de 24 anos, foi preso. Ele receberia uma carga de fogões por R$ 37 mil, valor muito abaixo do preço de mercado.
O prejuízo de R$ 1 milhão abrange apenas o período a partir de julho deste ano, mas a polícia não descarta que o golpe pudesse acontecer há mais tempo.