INSEGURANÇA

Saiba quais bairros de BH têm mais arrombamentos a casas

Da Redação
horizontes@hojeemdia.com.br
Publicado em 02/05/2022 às 07:00.
Judite Correia mora no Sagrada Família, bairro com mais arrombamentos em BH nos últimos dois anos (Fernando Michel)

Judite Correia mora no Sagrada Família, bairro com mais arrombamentos em BH nos últimos dois anos (Fernando Michel)

Quase 10% dos arrombamentos a casas nos últimos dois anos estão concentrados em cinco bairros de Belo Horizonte. Sagrada Família, Carlos Prates, Serra, Sion e Padre Eustáquio lideram o ranking de furtos a residências. Foram mais de mil crimes de 2020 a janeiro de 2022 nas localidades. No total, a capital registrou 11.575 ocorrências do tipo nesse período. 

Os dados foram obtidos junto à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) por meio da Lei de Acesso à Informação. Conforme o relatório, 21 bairros registraram mais de cem furtos desde 2020.

A lista mostra bairros com localização e perfil econômico diferentes, mas traços comuns que despertam a atenção dos assaltantes. Todos têm caráter residencial, com presença de muitas casas. Os bairros também estão entre os mais populosos de BH, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“É um fenômeno internacional, o perfil do furto de residência está muito ligado a bairros com casas, ele é menos comum em prédios. A oportunidade é numa residência, quando não tem ninguém”, explica o especialista em segurança pública, Luis Flávio Sapori. 

O levantamento da Sejusp não indica quais os bens mais levados pelos assaltantes nem os locais exatos dos crimes. Porém, Sapori reforça mais características semelhantes. “Nesses bairros há ruas com menor circulação de pessoas, um número de residências grande, com árvores que dificultam a iluminação. O Buritis, por exemplo. Quantas residências tem lá? Milhares, mas a grande maioria é de apartamentos e o bairro não aparece na lista”.

Ranking dos 21 bairros com mais furtos a residências nos últimos dois anos

1. Sagrada Família: 250 
2. Carlos Prates: 211 
3. Serra: 199 
4. Sion: 196
5. Padre Eustáquio: 177
6. Santo Antônio: 167
7. Concórdia: 158
8. Santa Efigênia: 151
9. Colégio Batista: 148
10. Céu Azul: 145
11. Centro: 139
12. Santa Tereza: 130
13. Prado: 130
14. Floresta: 126
15. Gutierrez: 126
16. Caiçaras: 124
17. Anchieta: 121
18. Nova Suíça: 116
19. Santa Amélia: 109
20. Mantiqueira: 105
21. Lourdes: 101

Nascida e criada no Sagrada Família, Cláudia Cristina Correia, de 54 anos, diz que a sensação de insegurança é constante. Na casa dela, também moram a mãe e um irmão. 

Lá, há câmeras e concertinas. “Para tentar evitar a ação de ladrões”, conta a secretária. Segundo ela, a mãe, Judite de Souza Correia de 80 anos, tinha o costume de ficar na porta da residência, conversando com as pessoas que passavam na rua. “Agora, não. Temos medo”. A moradora cobra mais policiamento na região.

Quem também reclama é a jornalista Jordana Silva, de 42 anos, mora em uma casa no Carlos Prates, mas também tem um apartamento na região. “Já entraram na minha casa, no quintal. Não roubaram nada porque não deixo nada lá. As casas são muito mais vulneráveis. Quando estou lá, durmo muito mal à noite, tenho muito medo”, relata. Jordana afirma que não registrou boletim de ocorrência após a invasão. 

Para o pesquisador Frederico Couto Marinho, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, a subnotificação já pode ser percebida no levantamento da Sejusp.

“São dados muito baixos. Veja só os números do Serra: 199 furtos em mais de dois anos. Parece que estamos na Suíça, na Noruega”, avalia. O professor também critica o fato dos dados não estarem disponíveis para a população de forma clara, com fácil acesso.

Orientação da polícia

As forças de segurança reforçam que os casos de arrombamentos – e todos demais crimes – devem ser registrados pela população. A partir dos dados, as polícias Militar e Civil organizam as estratégias de prevenção e repressão aos crimes. A PM garantiu que rondas rotineiras são feitas em toda a cidade.

“Além disso, a gente procura reaver os bens daquela pessoa, nosso serviço de inteligência monitora sites de venda on-line e várias vezes conseguimos recuperar”, diz o tenente Vitor Catão, do 34º Batalhão da Polícia Militar de BH.

Em nota, a Sejusp afirmou que divulga mensalmente os índices de criminalidade de todos os 853 municípios mineiros no Observatório de Segurança Pública. Os dados não tem informações específicas, como a divisão por bairros. A secretaria diz que evita a estigmatização de um local em detrimento de outro, mas que eles podem ser acessadas via Lei de Acesso à Informação.

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