Calixcoca

Vacina contra crack desenvolvida pela UFMG apresenta avanços e poderá ser testada em humanos

Imunizante Calixcoca pode se tornar o primeiro capaz de impedir a dependência de drogas

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 28/08/2025 às 12:18.Atualizado em 28/08/2025 às 12:18.
Vacina Calixcoca poderá ser testada em humanos nos próximos anos (Divulgação/ Governo de Minas)
Vacina Calixcoca poderá ser testada em humanos nos próximos anos (Divulgação/ Governo de Minas)

A vacina Calixcoca, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde 2015, apresentou avanços e poderá ser testada em humanos nos próximos anos. O imunizante promete reduzir a dependência de usuários de drogas como crack e cocaína. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) durante a comemoração de 40 anos da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig). 

O imunizante é o primeiro antidroga a revolucionar o tratamento de dependência química no mundo. Segundo o secretário de Estado de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti, os testes realizados em camundongos mostraram a produção de anticorpos, reduzindo os efeitos da droga, além de diminuir os abortos espontâneos em ratas prenhas expostas aos entorpecentes. 
 
“A Calixcoca é de fato um grande destaque. Primeira vacina vinculada ao consumo de crack e cocaína. É uma vacina sintética, diferente das vacinas biológicas comuns, e ela já demonstrou uma eficiência muito grande nos testes feitos em camundongos, diminuindo a dependência e os efeitos da droga”, destaca. 

Ainda conforme o secretário, os filhotes de camundongos submetidos às drogas nasceram mais saudáveis e resistentes após a aplicação do imunizante. O resultado, para Baccheretti, é importante para auxiliar gestantes que são dependentes químicas. 

“Importante que é um grupo social que sempre preocupa a saúde. Gestantes usuárias de crack e cocaína. Isso gerou um aumento muito grande de crianças prematuras, que já nascem com efeitos da droga por estarem no útero de uma mulher que consome. São muitos fatores promissores da pesquisa”, afirma. 

O projeto já recebeu importantes reconhecimentos, como o Prêmio Euro Inovação na Saúde (2023) e o Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica (2023). A partir de agora, com o aporte de R$ 18,8 milhões feito pelo Governo, será possível iniciar os testes clínicos em humanos, etapa essencial para transformar a pesquisa em alternativa terapêutica concreta.

Deste total, R$ 10 milhões são oriundos da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) e R$ 8,8 milhões da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), por meio da Fapemig. Em 2024, foram repassados R$ 14,6 milhões, e mais R$ 1,69 milhão será pago ainda em 2025. O restante do valor - R$ 2,6 milhões - será repassado entre 2026 e 2027.

Expectativa de que vacina comece a ser aplicada em até 4 anos, diz secretário

De acordo com Fábio Baccheretti, serão realizados novos testes em laboratórios fora do país e a expectativa é de que a vacina comece a ser aplicada em até 4 anos. 

“O plano de trabalho da pesquisa é de até 4 anos. A UFMG vai fazer testes em laboratórios fora do país, que não existem ainda no Brasil, para validar alguns exames. A tendência é que em até 4 anos a vacina passe por essa nova fase”, destacou. 

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