Esqueça a imagem do buda de pernas cruzadas, olhos fechados, num cantinho isolado e silencioso. Voltar-se para si mesmo não precisa ser sinônimo de isolamento nem exigir tanto esforço. Integração entre diferentes ferramentas, a neuromeditação propõe um caminho mais prático, simplificado, para manter o foco no momento presente. Associação entre técnicas de respiração e relaxamento, pode ser executada na cama, numa cadeira ou até mesmo caminhando, em movimento.

Desenvolvido pela psicoterapeuta, mestre em reiki e professora de yoga Ailla Pacheco, de Belo Horizonte, o método reúne influências e conhecimentos das diferentes técnicas estudadas pela profissional ao longo de quase 15 anos. Dentre eles, física quântica, neurociência, medicina energética, psiquismo e yoga. Com benefícios variados, a meditação ajuda a reduzir a ansiedade, facilita o gerenciamento do estresse, melhora equilíbrio emocional e energético, os estados de tristeza e desânimo e, principalmente, potencializa o autoconhecimento.

“São técnicas que misturam relaxamento e respiração e que podem ser praticadas no dia a dia e ainda ensinadas a outras pessoas. A intenção é que cada um consiga se transformar. Neuromeditação é, sobretudo, autoconhecimento”, resume Ailla, que atende num espaço localizado no bairro Cidade Nova, na região Noroeste de Belo Horizonte.

Neuromeditação

NO CONSULTÓRIO MÉDICO - A prática da respiração alternada ajuda a ter foco, concentração e paz interior, podendo ser feita sentada em qualquer ambiente, não necessariamente silencioso

"Meditação não é esvaziar a mente, mas dar a ela combustível positivo necessário para que se manifeste da melhor forma e inclua tudo ao redor”
Ailla Pacheco, professora de yoga

Curso

Aluna de um dos cursos ministrados por ela, em Portugal, a escritora e palestrante Juliana De’Carli, de 32 anos, buscou a vivência para ter mais embasamento e facilitar, assim, a prática de meditação, hábito já adotado por ela. No dia a dia, utiliza a técnica da neuromedita-ção principalmente quando está ansiosa ou sentindo-se preocupada.

“Mudei minha percepção sobre meditação e yoga, atividades que me ajudam a focar no momento presente e a entrar em contato comigo mesma. Passei a perceber melhor os limites do meu corpo e a lembrar de enviar mensagens construtivas para o cérebro. Sinto-me mais calma”, comenta. 

Neuromeditação

QUALQUER LUGAR - Usada na prática de yoga, a respiração abdominal ou diafragmática, como também é chamada, é ansiolítica e calmante. Pode ser feita na poltrona de casa, na cama ou mesmo na cadeira do trabalho

Não é preciso ter conhecimento em meditação ou prática de yoga em algum momento da vida para participar do curso desenvolvido pela professora Ailla Pacheco

A professora explica que um dos pilares do curso é ensinar os alunos a se concentrar. Para isso, são utilizadas ferramentas que envolvem meditação em movimento, técnicas de atenção plena, fixação de olhar e cromoterapia, só para ficar em alguns exemplos. 

“É uma espécie de relaxamento guiado do corpo para que, aos poucos, cada pessoa consiga identificar todas as partes do próprio corpo. Além, claro, das técnicas de respiração, que também ajudam a nos concentrar no momento presente”, detalha a professora. 

A próxima turma em Belo Horizonte está prevista para 26 de maio; além das aulas práticas, os alunos recebem material didático para praticarem as técnicas sozinhos

Além disso:

Embora não seja baseada nem derivada do mindfulness – estado de atenção plena ao momento presente –, a neuromeditação possui elementos da técnica, conforme explica Ailla Pacheco. “Não tenho tanto conhecimento para falar sobre mindfulness, pois nunca o estudei a fundo. Mas, sem dúvida, pelo que já pude ler, ambas têm características comuns, que convergem para o mesmo ponto”, afirma.

Neuromeditação

RIR É O MELHOR REMÉDIO - A terapia do riso ajuda na liberação dos hormônios do prazer, que transmitem neuroquimicamente ao cérebro sensações de bem-estar e alegria. Experimente fazê-la em frente ao espelho de casa ou no meio de um dia cansativo de trabalho

“A intenção do curso, que tem uma abordagem simples para ser adaptada ao dia a dia, é que o aluno consiga se transformar e passar conhecimento para os outros” - Ailla Pacheco, professora de yoga

Pesquisas mostram que praticar mindfulness leva o cérebro a alternar-se por diferentes estados, reduzindo as atividades da rede chamada default – quando estamos “viajando”, desconcentrados ou distantes. Da mesma forma, a prática constante da meditação ativa também leva à diminuição das amígdalas, responsáveis por emoções como medo e ansiedade. Estar focado, conforme estudos, com atenção voltada para o momento presente, diminui a atenção a estímulos externos e ajuda na produção de neurotransmissores responsáveis pelo prazer.

Neuromeditação

CAMINHANDO - A meditação ativa, em movimento, pode ser feita enquanto a pessoa estiver andando para o trabalho, no trajeto para pegar o ônibus ou mesmo a caminha da padaria: reflita sobre o momento presente

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