Patrimônio dos mineiros, a jabuticaba de Sabará e as delícias derivadas dela estão ganhando força Brasil afora. Elaborados no município da Grande BH, a 13 quilômetros da capital, licor, compota, geleia, molho e doce cristalizado feito da casca da fruta receberam um certificado nacional que atesta a origem e a qualidade dos produtos locais conforme padrões rigorosos.

Concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o Inpi – órgão federal vinculado ao Ministério da Economia, Indústria, Comércio, Exterior e Serviços –, o selo de Indicação de Procedência (IP) é uma espécie de carimbo que valoriza não só a mercadoria certificada como a região onde é produzida, diferenciado-a das demais. Outras sete mineiridades figuram na seleta lista, atualizada uma vez ao ano.

Dois anos

Para obter o certificado, produtores da cidade histórica, “terra da jabuticaba”, percorreram um caminho longo, de dois anos, e contaram com reforço especializado para melhorar e qualificar o modo de produção caseiro. “Desenvolvemos práticas, capacitamos mão de obra, mas, principalmente, transformamos algo que é tradição para o mineiro em produto de alcance e importância nacionais”, explica a coordenadora-técnica regional em Bem-Estar Social da Emater-MG, Eugênia Mara Dias Gonçalves.

Ela, que ao lado de outros profissionais participou da candidatura e conquista do selo, reforça que a certificação irá valorizar a cidade e fomentar emprego e renda na região. 
A partir de agora, todos os 27 associados da Asprodejas (Associação dos Produtores de Derivados da Jabuticaba de Sabará), a quem o selo foi conferido, irão comercializar receitas normatizadas, que levarão no rótulo o carimbo federal.

Defesa

Um dossiê de quase 300 folhas foi entregue ao Inpi destacando, além de características da fruta sabarense, a importância cultural e histórica que tem para o município.

Mais quatro produtos brasileiros foram incluídos na última lista: guaraná de Maués, no Amazonas; amêndoas de cacau, do Sul da Bahia; queijo da Colônia Witmarsum, no Paraná, e o socol, tipo de presunto cru, de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo. 

Outros sete produtos mineiros, dentre queijos, cafés e biscoito, integram a lista que atesta reputação e identidade do que é fabricado em determinado local

Jabuticaba

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Certificado contempla cinco receitas e 27 produtores da cidade mineira

Embora mais de 40 produtos sejam elaborados a partir da jabuticaba, em Sabará, apenas cinco, os mais populares, foram contemplados com o selo de Indicação de Procedência (IP). Vinte e sete produtores, associados à instituição local que protocolou o pedido junto ao Inpi, receberam o certificado. 

Presidente da Associação dos Produtores de Derivados da Jabuticaba de Sabará (Asprodejas), Meire Ribeiro vibra com a conquista, divulgada recentemente, mas entregue ao grupo no fim do ano passado. Para ela, o selo coroa um trabalho de 33 anos realizado na cidade, que tem como marca registrada a produção da fruta.

“Já somos referência, principalmente em Minas Gerais. A comprovação popular é inegável, assim como a importância histórica. Agora vamos nos lançar pelo Brasil”, celebra. 

Produtores que não foram beneficiados com o carimbo nacional – dois ou três, conforme a presidente da Asprodejas – podem se filiar à associação para requerer o certificado impresso nos produtos. A condição, explica Meire, é seguir as boas práticas de fabricação.

O registro de indicação geográfica é uma forma de atribuir reputação e identidade, além de valorizar determinado produto em relação a similares disponíveis no mercado. No caso específico da jabuticaba, o selo também limita o uso do nome “jabuticaba-sabará” aos produtores e prestadores de serviço do município mineiro. 

60% do total

Proprietária da Sabarabuçu, empresa criada há 12 anos, Meire Ribeiro responde, sozinha, por mais de 60% do total de jabuticaba produzido na cidade histórica. São 25 toneladas colhidas anualmente, entre setembro e novembro. A partir da fruta processada e congelada são elaborados geleia, mostarda, molhos, coberturas para sobremesa, além de licor e aguardente. Os produtos são comercializados em todos os estados brasileiros. 

Há 33 anos, Sabará também é palco de um tradicional festival que abre as portas do município para quem quer experimentar a fruta in natura e as receitas criadas a partir dela. A festa está prevista para o mês que vem. 

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