Segredo para ninguém que posicionar-se bem num processo seletivo é meio caminho andado para arrematar uma vaga de emprego. Mas, durante a pandemia, impulsionada pela necessidade de isolamento social, uma nova modalidade de contratação ganhou força entre recrutadores, exigindo novas habilidades dos candidatos: as entrevistas virtuais.

Realizadas a distância, no conforto do lar, facilitam o processo de seleção e encurtam o caminho entre quem precisa se colocar no mercado de trabalho e quem deseja contratar. Por outro lado, exigem mais do que só ter o currículo na ponta da língua e desenvoltura diante da câmera do celular. 

“Do ponto de vista do recrutador, há uma necessidade ainda maior de atenção às respostas dos candidatos. Do ponto de vista do profissional, por sua vez, é importante que haja a compreensão de que aquele contato, ainda que virtual, é sólido e precisa ser encarado com seriedade e concentração”, explica o executivo Leonardo de Souza, diretor-geral da Robert Walters no Brasil – consultoria mundial para recrutamento de profissionais de média e alta gerência. 

Entrevista virtual

Recrutamento realizado virtualmente exige mesmo comprometimento do candidato, avisam especialistas

Ele destaca um detalhe que pode ser crucial para o sucesso ou para o fracasso da seleção: agir de forma informal demais diante da possibilidade de se apresentar-se da própria casa, por meio de uma tela. “É fundamental ter o mesmo nível de concentração, a mesma atenção às roupas que se veste e o mesmo cuidado na comunicação que teria se a entrevista fosse pessoalmente”, alerta.

Leonardo acrescenta que, eventualmente, uma conversa pode ter uma abordagem mais informal – seja ela pessoal ou virtual –, mas que o direcionamento, quando for este o caso, deve ser explicitado pelo recrutador e não guiado pelo candidato.

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Detalhes técnicos 

Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) em Minas Gerais, Eliane Ramos também reforça a importância de se preocupar com detalhes técnicos do ambiente por onde a entrevista será conduzida. Ter um bom sinal de internet, iluminação suficiente para deixar o rosto do candidato bem apresentado e pouco ou nenhum ruído ao redor são apenas alguns deles. 

“Pode-se explicar que está em casa com a família, que tem filhos pequenos, por exemplo, e até pedir desculpas antecipadas caso alguém interfira acidentalmente na entrevista. Afinal, o recrutador está entrando um pouco mais na intimidade do candidato”, coloca Eliane, lembrando, no entanto, que quanto maior a seriedade e o comprometimento do candidato neste momento, melhor.

Dicas de linguagem corporal para se sair bem numa entrevista virtual:

  • Cuide da postura: manter uma boa postura faz com que o participante pareça mais envolvido, além de transmitir mais confiança.
  • Mantenha o contato visual: olhar para o monitor ajuda a humanizar a conversa e aproximar os interlocutores.
  • Controle as expressões faciais: mantenha o rosto neutro, com uma expressão amigável, sem franzir a testa.
  • Mantenha as mãos sob controle: é aconselhável mantê-las fora do alcance da câmera, repousadas sobre as pernas ou gentilmente apoiadas na mesa.
  • Relaxe: quando a pessoa está relaxada, a linguagem corporal fala por si só e todos os gestos tendem a ser mais agradáveis. 

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