Quem está buscando uma vaga de emprego sabe como é difícil expor os pontos fortes e fracos ao recrutador. Capacidade de liderança, facilidade de comunicação, perfeccionismo e ansiedade costumam aparecer com frequência na maioria das respostas, mas não são, nem de longe, a chave para abrir uma porta no cada vez mais disputado mercado de trabalho. Conhecer as próprias habilidades e falhas e ter em mente as características esperadas pela empresa são determinantes para fugir de pegadinhas e desbancar a concorrência, dizem especialistas. 

“Clichês costumam ser genéricos, vazios de conteúdo relevante para o entrevistador. A dica número um é se conhecer bem para entender que aspectos do perfil merecem ser destacados ou desenvolvidos”, ensina o mentor de profissionais em recolocação e coach de desenvolvimento e planejamento de carreira, Henrique Baião Corrêa. O profissional reforça que tão importante quanto expor as falhas é apresentar o “antídoto” para elas. Ou seja, as soluções utilizadas para mitigá-las. 

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Segundo Baião, também é importante identificar o perfil do entrevistador antes de elaborar as respostas. Profissionais de Recursos Humanos costumam focar em análise comportamental. Enquanto gestores de áreas específicas tendem a privilegiar informações técnicas, pertinentes à posição pleiteada. 

Velocidade da resposta

Especialista em gestão de pessoas, Vinícius Gomes chama a atenção para a agilidade das respostas, que devem ter sido previamente mapeadas - e não ensaiadas, que fique bem claro! “Demorar para responder seja qual pergunta for é um sinal evidente de que o candidato não está engajado naquele momento, de que não pesquisou nem estudou e que, portanto, falhou no próprio preparo”, ressalta.

Conselheiro estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos Seção Minas Gerais (ABRH-MG), ele recomenda investir tempo em autoconhecimento. “Às vezes, num período de tempo curto não é possível numerar as qualidades e pontos fracos. Então, anote-os! Sempre que tiver um insight de alguma situação, validade-o no papel. Consultar ex-chefes, colegas de trabalho, parceiros da rotina também é interessante. Tudo parte do autoconhecimento”, reforça. 

“É preciso utilizar o que temos de melhor e transformar, com cuidado, o que não é tão bom assim. Tem a ver com criar estratégias para expor os pontos fracos, que todo temos, sem perder oportunidades” - Tânia Zambelli, coach, mentora executiva e de carreira e consultora em desenvolvimento de pessoas 

Autoconhecimento melhora convívio e relações no trabalho

Dever de casa para quem procura uma oportunidade no mercado, investir no autoconhecimento é ponto positivo também para melhorar as relações no trabalho. Que o diga o supervisor de beneficiamento Alessandro Sana de Lima, de 47 anos, que buscou desenvolver os pontos fracos, aperfeiçoou a comunicação e, de quebra, acabou sendo promovido. 

“Conseguia ter grandes ideias, propor grandes feitos, mas não via as coisas funcionarem com meus pares. Por causa dos gaps, acabei perdendo muitas oportunidades. Trabalhar os pontos fracos ajudou a diminuir a prolixidade e a ansiedade ao me comunicar. À medida em que os treinamentos evoluíam, recebia feedbacks positivos de todos, até da família. As mudanças foram reconhecidas e, hoje, estou até podendo escolher”, brinca. Em breve, Alessandro ocupará uma vaga de gerente. 

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Falar sobre pontos fortes e fracos na entrevista de emprego

Alessandro (com o caderno na mão) melhorou a comunicação com colegas de trabalho e foi até promovido

Parceria

Os treinamentos a que o profissional de logística se refere foram feitos em parceria com a mentora executiva e de carreira, Tânia Zambelli. Especialista em desenvolvimento de pessoas, ela explica que o autoconhecimento é fundamental para que o profissional compreenda, sobretudo, a forma como reage às diferentes situações do dia a dia. 

“Tudo é a maneira como cada um de nós lidamos com nossas próprias características. Por isso, saber o que temos de bom e ruim é essencial. Somente a partir dessa análise, de um conhecimento claro, é que o candidato ou funcionário de uma empresa conseguirá se vender ou se firmar na posição que ocupa”, acrescenta a profissional.

Um dos exercícios propostos por ela para quem deseja se conhecer melhor é elaborar uma espécie de portfólio com as experiências vivenciadas na trajetória profissional. “Gráficos, fotos, relatórios ajudam a ilustrar situações de falhas e vitórias. Assim, fica mais fácil fazer a reflexão do que está de fato bom e do que pode melhorar. No momento de uma entrevista, lembrar daquelas passagens e evidenciar o que for necessário com certeza ficará mais fácil”, afirma. 

“É preciso construir uma resposta que lhe represente como profissional. Invista tempo em se conhecer, saber o valor que tem para o mercado e identificar diferenciais. Esses serão seus pontos de força” - Henrique Baião, recrutador especializado em posições executivas, mentor de profissionais em recolocação e coach de desenvolvimento e planejamento de carreira 

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