A chegada de um filhote em casa desperta diferentes sensações, como a descoberta da nova relação e de comportamentos apresentados pelo pet nos primeiros dias de vida. Mais do que prazerosa, no entanto, convivência entre bichinho de estimação e tutor deve ser cautelosa, caracterizada por cuidados especiais com o recém-nascido. 

O primeiro passo é buscar orientação profissional assim que o filhote, seja cão ou gato, chegar ao lar oficial – após dois meses, quando é feito o desmame. Médica veterinária, pós-graduada em clínica de pequenos animais, Talita Izidório Simões Teixeira diz que uma das principais condutas refere-se à oferta de água e comida. 

“É importante que a ração seja própria para filhotes e de excelente qualidade, super premium. Para os cães, o ideal é oferecê-la em diferentes momentos do dia para evitar crises de hipoglicemia. Já os gatos devem ter ração sempre disponível”, detalha. 

Vacina e vermífugo 

Ficar de olho no calendário de vacinas e na vermifu-gação do pet também é fundamental para garantir a boa saúde do animal por toda a vida. 

Para evitar esquecimento das doses e reforços, a dica é buscar orientação profissional. Além de vacinados, gatos, por exemplo, devem ser testados para FIV e FeLV, doenças exclusivas de felinos. Quanto antes, melhor, diz a veterinária Sandra Matoso, do Life Hospital Veterinário. 

Até que a imunização seja concluída, a regra, para as duas espécies, é manter o pet em casa. “Não é frescura! Até que estejam completamente protegidos, não devem passear, nem ir ao petshop. Nos primeiros meses, doenças virais, protegidas por vacina e de fácil transmissão são muito graves”, reforça.

À risca 

Tutora da lulu da Pomerânia Liz, de 1 ano e 2 meses, a jornalista Raquel Brasil, de 33, seguiu à risca as recomendações da veterinária escolhida por ela.

“A Liz só saía de casa para vacinar e pesar e, assim mesmo, no colo. Para mim, o mais difícil nessa primeira fase foi educar. Por isso, optei por contratar um adestrador quando ela tinha 3 meses. Sem ele, teria sido mais difícil”, diz.

Veterinária parceira da DrogaVet em Belo Horizonte, Perla Lembi diz que o adestramento é aconselhado a partir do segundo mês de vida do animal. “É quando começa o período de socialização entre pet e tutor. Consequentemente, conseguimos evitar problemas comportamentais”.

De acordo com a profissional, é fundamental que os ensinamentos ocorram na casa do animal de estimação, já que a vacinação, nesse período, não terá sido concluída.

Cuidados com filhotes Raquel Brasil e Liz

Tutora de Liz, Raquel Brasil procurou seguir à risca todos os conselhos da veterinária escolhida por ela para tratar a lulu da pomerânia; até completar as vacinas, a cadelinha não saía de casa

Castração divide especialistas, mas deve ocorrer precocemente para prevenir doenças

Recomendada por médicos veterinários, benéfica para a saúde dos pets, a castração divide opiniões de especialistas, mas é uma das condutas que mais requerem atenção nos primeiros meses de vida de cães e gatos. Alguns profissionais defendem que a medida ajuda a prevenir doenças como o câncer; outros recomendam esperar pelo menos até o primeiro cio do animal. 

Médica veterinária em Belo Horizonte, Perla Lembi explica que há linhas de estudo divergentes sobre o assunto. Segundo ela, no entanto, é fundamental que o tutor seja orientado por um profissional para, então, definir a melhor conduta. 

“Nas fêmeas, o foco da castração precoce é evitar doenças uterinas e até neoplasias mamárias. Já para os machos, recomendamos que seja mais tardia, após 1 ano, quando os órgãos sexuais já se desenvolveram”, detalha.

Cuidados com filhotes Marreta fazendo fisioterapia
Atropelado em casa casa, Marreta passou por cirurgia e, hoje, faz fisioterapia duas vezes por semana

Vigilância 24 horas 

Acompanhar de perto a rotina do filhote também é imprescindível nos primeiros meses do pet no novo lar. Monitorar a exploração da casa nova, bem como restringir o acesso do pet a áreas externas, por exemplo, ajuda a evitar acidentes muitas vezes fatais. 

Que o diga a gerente Suelen Ribeiro Carvalho, de 36 anos. Tutora de Marreta, buldogue francês de 7 meses, ela passou um susto recentemente depois que o pet foi atropelado dentro de casa. 

"Não considero um descuido, pois ele já estava com a gente há 4 meses e nunca havia acontecido nada. Depois do atropelamento, o que fiz foi mudar a rotina. Agora, ao invés de ficar solto (na área externa) durante o dia, só fica à noite”. 

Veterinária no Life Hospital Veterinário, em BH, Sandra Matoso diz que a vigilância deve ser parecida com a que se tem com bebês. “É a mesma coisa de uma casa com criança. É preciso ser vigilante no dia a dia”, reforça.

Cuidados com filhotes de cães e gatos arte

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