Saiba como proteger o pet do barulho dos fogos de artifício durante a festa de Réveillon

Vivian Chagas
@vivisccp| Especial para o Hoje em Dia
28/12/2021 às 15:54.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:38
 (Pixabay)

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Tradicional nas festas de fim de ano, a queima de fogos de artifício, como os rojões, pode ser um show à parte para os humanos, mas para os pets, o barulho é um grande vilão, já que a audição deles é muito superior à nossa.

"O estresse causado por esses sons pode levar os animais a terem uma parada cardíaca e até à morte", alerta o médico veterinário, doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor das Faculdades Kennedy, Mitzem Sathler Bretas.Vivian Chagas / Hoje em Dia 

A audição dos cachorros é mais aguçada que a dos humanos

Além disso, o médico explica que, ao se sentirem ameaçados pelos barulhos, os bichinhos podem se envolver em acidentes domésticos para fugir do "suposto perigo". Eles podem ser atropelados, cair de escadas ou pular de locais como varandas e janelas.

Outra consequência dos estampidos dos fogos é que eles podem lesionar o tímpano do animal e levar a quadros mais sérios, como a perda total de audição. Os tutores também devem ficar atentos à essa questão, visto que a exposição a sons intensos é a segunda causa mais comum da perda auditiva no Brasil. (Veja como se cuidar aqui).

"Os cães têm a audição como um dos sentidos mais aguçados. Por serem animais com instinto de guarda, eles são preparados para ouvir tons que o ouvido humano não é capaz", comenta a especialista em comportamento de cães, Luisa Pires.

Para que os melhores amigos não sofram durante as comemorações, o professor Mitzem Sathler e a especialista Luisa Pires enumeram dicas de cuidados para tranquilizar os pets. Confira:

Antes do barulho 

  • Nos dias em que você souber que haverá fogos de artifício, procure gastar a energia acumulada do cão. Então, saia com ele, brinque, deixe que corra. O animal sem essa energia acumulada ficará muito mais tranquilo no momento do barulho
  • Acostume seu cachorro a associar comida e barulho. De forma muito delicada, comece a colocar sons como trovão e fogos de artifício em volume muito baixo quando ele for comer. Aos poucos, aumente a intensidade do som. Mas é importante que o cão não sinta medo em momento nenhum. Se ele parar de comer, volte ao volume anterior
  • Tente, sempre que possível, acostumar seu cão a ambientes um pouco mais barulhentos e agitados, sem colocar a saúde deles em risco. Faça com que convivam com música, pessoas e outros cães. Isso pode ajudar a que enfrentem momentos de estresse com menos ansiedade

Durante o barulho

  • Deixe seu cão o mais confortável possível, de preferência em um cômodo onde não possa se ferir. Feche janelas e portas, para tentar diminuir o barulho
  • Se ele escolher um esconderijo, respeite. É onde ele se sente seguro. Caso ele não tenha, você pode criar uma casinha para que ele se abrigue nos momentos de medo
  • Nunca deixe seu cão acorrentado. Ele pode se ferir ao tentar escapar
  • Não o deixe sozinho. Tente manter pelo menos uma pessoa com ele
  • Se precisar ficar sozinho, deixe uma TV ligada. A ciência já comprovou que a voz humana acalma e transmite segurança para os cães
  • Se você mora em apartamento, confira as grades e redes de proteção para evitar que ele tente fugir e se machuque com gravidade
  • Coloque com delicadeza um chumaço de algodão hidrófilo nos ouvidos do cachorro um pouco antes do horário da queima. Mas lembre de retirar após o barulho cessar
  • Evite manifestar carinho durante os fogos, como, por exemplo, pegar o cão no colo. Ele pode entender que o carinho é uma recompensa para o medo e vai tender a repetir o comportamento

Projeto de lei
No último dia 15, a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, em primeiro turno, o Projeto de Lei (PL) 79/2021 que proíbe o uso de fogos de artifícios barulhentos na capital. O texto apresentado recebeu uma emenda do vereador Álvaro Damião (DEM), que veta apenas os artefatos que, a 100 m do local da soltura, emitam ruído acima de 120 decibéis, como os famosos rojões.

Ao todo, 35 parlamentares votaram a favor, dois foram contra e três se abstiveram.

A discussão sobre esse assunto na capital já é antiga. Em 2018, outro projeto de autoria de Osvaldo Lopes, à época vereador, também foi aprovado em primeiro turno. No entanto, segundo Melo, ele foi arquivado quando Lopes virou deputado estadual.

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