SÃO PAULO - Mapear o Brasil, descobrindo o que cada canto produz e inova, é também parte do trabalho de “garimpo” feito ao longo dos seis meses em que cada Inspiramais, Salão de Design e Inovação de Materiais, é realizado. Nos últimos tempos, e de forma bem consolidada agora, a característica marcante dos desenvolvedores de matérias-primas para moda é o olhar para a sustentabilidade.

“A moda brasileira é vista com características de sustentabilidade pelo estrangeiro. Nos veem como grandes produtores, mas sabem que não temos os custos de um grande fornecedor”, expõe Ilse Guimarães, superintendente da Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), um dos realizadores do projeto e do Inspiramais.

Flor Silva Inspiramais

Flor Silva no Inspiramais

Inovação

Um dos projetos que estão sob o guarda-chuva do evento, o Conexão Criativa e Comercial fomenta o desenvolvimento de pequenas empresas que propõem reduzir a quantidade de resíduos industriais e têm soluções altamente inovadoras.

É o caso da Biotecan, do Rio de Janeiro, que criou um tecido a partir da bactéria do vinagre – a mesma usada para fazer o kombucha, a bebida da moda. “Somos dois engenheiros químicos e um químico trabalhando nesse projeto. Cultivamos a bactéria por algumas semanas, até formar a capa de celulose. Leva um mês para cada ‘folha’ de tecido ficar pronta”, conta o engenheiro químico Hugo Mendes, representante da Biotecan no evento.

Natureza

Pela primeira vez no Inspiramais, a artesã manauara Flor Silva, que trabalha há quase 20 anos criando peças a partir das sementes e dos insumos da Floresta Amazônica, também foi selecionada para o Conexão Criativa. 

“Me inscrevi no projeto quando estava aqui em São Paulo, no Instituto AC Camargo, para tratar de câncer. O trabalho me fez tirar um pouco da cabeça as tantas dificuldades que estou passando e me deixou muito feliz”, revela, emocionada.

O trabalho de Flor possui alto valor agregado e tem a cara do Brasil. “Além de vivenciar minha cultura local, coloco a brasilidade nos produtos. Busco inovar nas peças, usando o açaí e a semente de jarina”, destaca.

Para a curadora do projeto, Flávia Vanelli, o objetivo é oxigenar a moda brasileira. “O Brasil tem uma vocação para a sustentabilidade. Quando pensamos em exportação, há essa força que se conecta com a identidade brasileira”, acredita.

(*) Viajou a convite do evento

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