Segredo para ninguém que, há tempos, os animais de estimação vêm sendo tratados como parte da família. O que nem todo mundo sabe é que mais do que serem cuidados como humanos (ou quase isso!), cães e gatos – população mais numerosa de pets no Brasil – precisam se exercitar. 

E não basta aquela voltinha rápida na rua. Atividade física bem feita e individualizada é capaz não só de afastar o tédio como prevenir problemas de saúde – o mais comum deles é a obesidade. Selma Figueiredo, de 75 anos, soube disso na marra. Tutora de Honey, de 7, só percebeu a necessidade quando viu o ponteiro da balança da poodle subir sem parar.

“Levei uma bronca do veterinário! Ela estava obesa e começando a ter problemas articulares. A receita foi esticar os passeios e brincar com ela em casa também”, conta a aposentada, que seguiu as recomendações à risca. A cachorrinha perdeu dois quilos e ficou mais disposta. 

Menos doentes

Especialista em endocrinologia, a veterinária Marina Madeira explica que a atividade física melhora a circulação, ativando fatores anti-inflamatórios, aumentando a resistência do animal, fortalecendo a musculatura e favorecendo também a capacidade respiratória do pet. 

Segundo ela, animais que têm os exercícios incluídos na rotina adoecem menos, principalmente de doenças cardiovasculares e respiratórias. “Além de serem menos predispostos à obesidade, a tumores e terem melhor condição mental, ou seja, serem menos estressados”, acrescenta.

A especialista lembra, porém, a importância de um cronograma individualizado e que seja orientado por um bom profissional para evitar mais danos que ganhos. “Assim como os humanos, os animais vão envelhecendo e ficando predispostos a doenças de coluna, articulares. Muitos têm dores, inclusive”, alerta a profissional. 

59% dos cães são obesos, segundo pesquisa mundial. Sobrepesa, além de ser fator de risco para doenças, reduz a expectativa de vida do animal

Necessidades individuais 

A empresária Michelle Gaby Madi, de 33 anos, também fez o dever de casa quando adotou Catarina, blue heller de quase 3 anos. “Achamos que fosse uma vira-lata de porte médio, mas ela foi crescendo e descobri que era uma raça originalmente usada na lida com o gado, acostumada a trabalhar, a se movimentar”, conta. 

Para atender as necessidades de Catarina, Michelle, que passa pouco tempo em casa, matriculou a pet num espaço voltado para o bem-estar canino. A cadela passa dez horas por dia, de segunda a sexta-feira, no local, que oferece atividades físicas e cognitivas.

“Pelo menos duas vezes por semana também saímos na rua por uns 30 minutos e aos sábados e domingos fazemos trilha. Antes, ela era ansiosa, roía os móveis, destruía a caminha. Agora, não faz mais nada de errado e ainda é super obediente”, comenta. 

Animais jovens, com dieta equilibrada e boa saúde, mas que estão ganhando peso sinalizam atividade física inadequada. Pets felizes, com peso normal e que não chamam atenção para nada estão com nível de atividade física satisfatório

Para cada um

Educadora canina, proprietária da Educãodo, onde Catarina é matriculada, Cláudia Simões reforça que as atividades são individualizadas. Segundo ela, o objetivo do espaço, que tem três unidades em Belo Horizonte, é dar ao cão a oportunidade de se expressar como se estivesse na natureza. 

“Além dos exercícios propriamente ditos, oferecemos atividades de enriquecimento ambiental, que permitem roer, caçar, farejar e socializar. É bom lembrar também que nenhum deles passa o tempo todo se exercitando. Assim como nós, eles também precisam de um tempo de descanso”, reforça. 

Além disso:

Embora sejam mais caseiros e não gostem (nem possam) sair na rua, gatos também precisam ser estimulados física e mentalmente, um desafio para os tutores. Em casa, podem ter a dose de atividade física que necessitam com obstáculos, como rampas, e esconderijos espalhados pelos cômodos. Especialista em clínica médica de felinos, fisioterapia, reabilitação, medicina integrativa e nutrologia funcional, a veterinária Priscila Malta Jácome ensina a criar alternativas no ambiente doméstico para que o animal possa movimentar corpo e mente.

“Gatos são, a maioria, muito curiosos. Entender o que interessa e chama atenção vai permitir que seja criado um ambiente mais enriquecido e interessante para que brinquem e se movimentem mais. Podemos utilizar recursos como labirintos, espaços verticalizados (pontes e passarelas), brinquedos e bolas interativas com ou sem sons e esconderijos, por exemplo”, detalha, lembrando que o enriquecimento ambiente não elimina a importância da interação do tutor com o pet.

A profissional acrescenta que a atividade física sozinha não faz milagre, sobretudo para pets castrados, mais propensos a ganhar peso. De acordo com ela, uma boa nutrição aumenta a qualidade e a expectativa de vida do animal. “Sendo responsável também pela prevenção de uma série de doenças, além de auxiliar de forma considerável no tratamento de outras”, afirma. 

Arte atividade física pets

Clique para ampliar

Leia mais:

Um cão para cada canto: escolha do pet deve considerar características e necessidades das raças

Sem crise em casa: preparação permite que animais recebam 'irmãozinhos' com naturalidade

Igual recém-nascido: cuidados nos primeiros dias do pet garantem boa saúde por toda a vida