Justiça

Acusados de mandar matar fiscais do trabalho na 'Chacina de Unaí' voltam a julgamento nesta semana

Hermano Chiodi
hcfreitas@hojeemdia.com.br
22/05/2022 às 17:04.
Atualizado em 22/05/2022 às 17:25
 (Flávio Tavares/arquivo Hoje em Dia)

(Flávio Tavares/arquivo Hoje em Dia)

O julgamento dos envolvidos no episódio conhecido como “Chacina de Unaí”, quando quatro servidores do Ministério do Trabalho foram assassinados em uma emboscada, no Noroeste de Minas, deve recomeçar nesta semana.

Segundo informações da Justiça Federal em Minas Gerais, o julgamento está previsto para iniciar nesta terça-feira (24) e deve se estender até quinta-feira (26).

O crime aconteceu em 28 de janeiro de 2004, quando os auditores João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e Erastótenes de Almeida Gonçalves, além do motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram assassinados com tiros à queima-roupa.

Quando foram assassinados, os três auditores investigavam denúncias de trabalho análogo à escravidão que estaria acontecendo em fazendas da região. A morte dos três provocou mobilização política e social na época e, em homenagem às vítimas, a data dos assassinatos foi transformada em “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo”.

As primeiras prisões envolvendo o caso só aconteceram em 2013, uma década após os assassinatos. Na ocasião, três pessoas - Rogério Alan, Erinaldo Silva e William Gomes - acusadas de serem “pistoleiros”, foram condenadas a penas que, juntas, somam 226 anos de prisão.

O ex-prefeito de Unaí Antério Mânica e o irmão dele, Norberto, dois grandes produtores de feijão da região, foram apontados pelo Ministério Público Federal (MPF) como mandantes do crime. 

A sentença deles saiu em 2015, com cada um condenado a cumprir 100 anos de prisão. Apesar de o MPF pedir a prisão imediata dos réus, a Justiça permitiu que ambos recorressem em liberdade.

Em 2018, no entanto, uma reviravolta mudou os rumos do processo. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anulou a condenação de Antério Mânica com o argumento de que não havia provas suficientes. 

"Os que mataram (os fiscais) estão presos. Não se pode falar que tenha impunidade nesse caso. Contra Mânica não se tem nenhuma prova", disse o advogado do ex-prefeito, durante a sustentação oral na sessão que reviu a condenação.

Em virtude da anulação, o ex-prefeito terá que ser submetido a novo julgamento, que deve acontecer nesta semana. 

Na época da anulação, Norberto Mânica, que também recorre em liberdade, prestou depoimento e sustentou ser o único mandante do crime, inocentando o irmão.

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