“Se eu pegar um revólver, entrar dentro do gabinete e metralhar, agora eu vou preso, mas eu vou satisfeito”. A voz enfurecida e o tom ameaçador em um áudio que acabou chegando às mãos do vereador Mateus Simões (Novo) mostram que a tranquilidade está longe de voltar à Câmara Municipal de Belo Horizonte. O parlamentar acredita que a fala possa ter ligação com o pedido de cassação apresentado por ele contra Wellington Magalhães (DC). Na semana passada, os dois já haviam batido boca no plenário. 

“Não tenho dúvidas. Essa voz é dele (Magalhães)”, diz Mateus Simões. Na fala não é feita referência direta a nenhum nome. Mas outra gravação, com a mesma voz masculina, traz ofensas ao promotor Leonardo Barbarela e cita um “Mateus”. O representante do Ministério Público acompanha investigação contra Wellington Magalhães que apura o suposto envolvimento dele em um esquema de desvio de verba publicitária que teria lesado a Câmara de BH em R$ 30 milhões. 

“O trouxa, babaca do Barbarela, que qualquer dia ... até a OAB está rindo dele. Na sexta ele entrou, então o que ele está fazendo é uma força, ele sabe que, que ... que o Mateus, foi tudo orquestrado. Pensar que agora, ele me chamar do que me chamou ali, por isso que um cara chega e morre aí por causa disso”, diz o homem no áudio. 

Em outro trecho, o interlocutor também fala em morte. “Não sou homem de dedar ninguém, não sou covarde. Se o cara fizer um negócio desse comigo, morre eu e ele”, diz. 

Ouça as ameaças: 

Mesmo certo de que pelo menos um dos áudios diz respeito a si, Mateus Simões afirma que não procurou a Polícia Civil (PC) para prestar queixa.

“Eu só preciso garantir que ele (Magalhães) não vai intervir no processo de cassação contra ele. O Ministério Público foi acionado para garantir que eu não seja atingido por nenhuma ação desse sujeito e, agora, é aguardar para que, na semana que vem, possa-se abrir o processo de cassação contra ele. Eu não vou recuar e é por isso que a Polícia Militar (PM) já está garantindo que eu e os promotores do caso fiquemos seguros”, garantiu.

O advogado de Magalhães foi procurado pela reportagem, porém, não atendeu nem retornou às ligações.

Na última quarta-feira, o vereador foi alvo de mais um pedido de cassação – o terceiro –, protocolado pelo advogado Mariel Marra.

Foi a segunda vez que Marra pediu a perda do mandato de Magalhães. Em agosto do ano passado, ele apresentou o primeiro pedido, aceito pelos vereadores. Apesar disso, Magalhães conseguiu se manter na Câmara.

O vereador é investigado desde 2016, na Operação Sordidum Publicae (Política Suja), da Polícia Civil. As investigações apontam fraude em R$ 30 milhões referentes a licitações de dois contratos de publicidade da Câmara, quando o parlamentar do DC era presidente da Casa.

Magalhães foi preso por um mês. Afastado por um ano dos trabalhos legislativos por decisão da Justiça, o vereador do DC ficou apenas um mês sem receber o salário de R$ 17.642,33 brutos (aproximadamente R$ 10 mi líquidos).

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