Alegando a "garantia da ordem", a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) decidiu proibir, a partir desta terça-feira (19), o acesso de jornalistas à antessala do Plenário da Casa. A medida é inédita na história da Assembleia, fundada ainda na década de 1970.

Na deliberação 2.700, datada de 15 de fevereiro, mas publicada no Diário Legislativo nesta terça-feira (19), a Mesa Diretora justifica a medida alegando a "garantia da ordem dos trabalhos legislativos, da segurança das pessoas e da defesa do patrimônio público".

Fazem parte da Mesa Diretora, responsável pela deliberação, os deputados Agostinho Patrus (PV), presidente da Casa; Antonio Carlos Arantes (PSDB), 1° vice presidente; Cristiano Silveira (PT), 2° vice-presidente; Alencar da Silveira Junior (PDT), 3° vice-presidente; Tadeu Martins Leite (MDB), 1° secretário; Carlos Henrique (PRB), 2° secretário e Arlen Santiago (PTB), 3° secretário.

Antes da determinação, os jornalistas já eram impedidos de acessar o Plenário, área com tapete vermelho, restrita aos deputados. Agora, a imprensa não poderá acessar a antessala, que fica entre o Plenário e a sala de lanche reservada para os parlamentares. 

O local permite que jornalistas e assessores parlamentares tenham acesso direto aos deputados para entrevistas e acompanhamento das sessões públicas. Agora, com a deliberação, a imprensa só poderá acompanhar as sessões plenárias por uma televisão instalada na entrada do Plenário.

A antessala ainda abriga uma sala para a imprensa, criada entre 1995 e 1996 pelo ex-deputado Agostinho Patrus (1939-2008), pai do atual presidente da Casa. O deputado Cristiano Silveira (PT) justificou a medida alegando que "a Casa precisava organizar melhor o fluxo no Plenário" e que a imprensa "não está sendo censurada".

Anulação

Em contraponto à deliberação, o deputado João Vitor Xavier (PSDB) enviou um ofício à Mesa Diretora nesta segunda-feira (19) solicitando a anulação da medida para jornalistas. "Fiz a solicitação porque, apesar de achar que às vezes o Plenário é tumultuado, a imprensa não pode ser cerceada. É preciso rever isso", disse o tucano.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) também solicitou uma reunião com a Mesa Diretora para esclarecer as motivações da deliberação e cobrar a reversão da medida. "É uma medida inédita e que censura trabalho da imprensa. É preciso ter acesso aos deputados para trabalhar com política. Essa situação não faz sentido", disse Alessandra Mello, presidente do SJPMG.

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