Cerca de três mil pessoas foram demitidas após o fechamento por tempo indeterminado de 11 hotéis e a paralisação - pelos próximos 15 dias - de outros dois, em Belo Horizonte e outras cidades da Região Metropolitana devido à pandemia do coronavírus. A estimativa é da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), que prevê ainda uma piora no setor até 20 de abril, quando deve ocorrer o desligamento de outros cinco mil funcionários.

Também nesta quinta-feira (26), o Governo de Minas informou que está adotando medidas para diminuir o impacto da crise no setor turístico em meio à pandemia, dentre as quais a oferta de condições diferenciadas de financiamento para empresas do ramo e a campanha para remarcação de viagens.

Só nessa quarta-feira (25), 93 pessoas foram desligadas no Intercity BH Expo, na Gameleira, na região Leste de BH. Além dele, outros 10 estabelecimentos foram fechados sem prazo de reabertura: Fasano, BHB, Quality Pampulha, Classic, BH Plaza, Bristol Merit, ESuites Lagoa dos Ingleses, San Diego Barro Preto, Boulevard Express e Boulevard Park.

Já o OYO Amazonas Palace e o BH Boutique Hostel vão paralisar as atividades pela próxima quinzena e irão reavaliar possível reabertura ao fim do período citado. Nesses locais, a definição sobre desligamento ou manutenção de funcionários está sendo discutida.

Procurada, a assessoria do Hotel Fasano Belo Horizonte informou que o fechamento da unidade, por tempo indeterminado, foi necessário para a garantia da segurança dos colaboradores, clientes e fornecedores. "Fomos obrigados a tomar certas medidas que nos entristecem, mas acreditamos serem necessárias para resguardar o bem estar coletivo", informou, em nota.

Mais cortes

Apesar de não apresentar os dados exatos das dispensas, a associação vê na suspensão dos contratos de trabalho de funcionários da hotelaria uma forma de reduzir danos já que, segundo a ABIH-MG, pode dar 'fôlego ao empresariado'. A ABIH-MG afirma que há impactos diretos em todo o setor de Turismo e enfatiza que, no caso de hotéis, já foi registrado o cancelamento de mais de 70% das reservas.

Dessa forma, a expectativa é que outros 20 empreendimentos finalizem suas atividades no dia 1º de abril, causando a demissão de aproximadamente cinco mil funcionários até o dia 20 do próximo mês.

Para o presidente da associação, Guilherme Sanson, a hotelaria está isolada pelo governo e seu cenário de fechamento e paralisação dos hotéis só pode ser revertido com a tomada de decisões mais rápidas por parte do poder público, com ações como a isenção do IPTU e ICMS e a redução do ISS, enquanto durar a pandemia do coronavírus. Segundo Sanson, os pleitos do setor não foram concretizados. 

"Acredito que muitos trabalhadores perderão seus empregos, muitos hotéis estão fechando ou irão fechar com a demora nas definições do governo, ainda que elas sejam difíceis, pois envolvem a parte econômica e financeira. O governo está contando com uma receita que não vai existir e as consequências serão mais trabalhadores afetados, assim como toda a cadeia do Turismo e isso tende a se avolumar cada vez mais", afirmou Sanson.

Suspensão de contratos de trabalho

Como forma de 'dar fôlego ao empresariado', Sanson sugere que, no caso desse setor especificamente, pode ser necessária a suspensão dos contratos de trabalho. De acordo com a associação, os funcionários que forem suspensos ou que tiverem seus direitos trabalhistas revogados neste momento, continuarão com a garantia dos empregos após a pandemia. Para Sanson, a suspensão impactará diretamente na sustentabilidade, saúde e no planejamento de investidores, hoteleiros e empreendedores.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de BH, com a Secretaria de Estado de Fazenda, do Governo de Minas, e com o Governo Federal, mas eles ainda não se manifestaram. O Governo de Minas divulgou, na última quarta-feira (24), ações para o setor, no âmbito da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Veja:

Governo de Minas apoia setor

Além da oferta de condições especiais de financiamento para a cadeia do turismo, com redução nas taxas de juros e ampliação do prazo de carência, o Governo de Minas, informou que vai flexibilizar prazos de pagamento das contas da Cemig e Copasa.

Além disso, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) aderiu ao movimento nacional "Não cancele, remarque!", que busca reforçar a importância do turismo para os estados, a necessidade das atividades turísticas voltarem a operar quando a situação normalizar, além de contribuir para que a saúde financeira das empresas não seja prejudicada.

"A Secult está ainda mais aberta ao diálogo com todos seus parceiros, neste momento tão delicado, e segue com a prática de se reunir com o setor de forma mais intensa para entender as demandas, nivelar as informações recebidas do governo federal e discutir, em conjunto, medidas e alternativas para enfrentar essa crise", afirmou o secretário adjunto da Secult, Bernardo Silviano Brandão.

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