O presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Reynaldo Passanezi Filho, descartou nesta quarta-feira (6), durante Reunião Especial com parlamentares da Assembleia Legislativa para relatar providências da estatal durante a pandemia da Covid-19, a possibilidade de erros em massa da empresa na cobrança das contas de luz deste mês, especialmente de clientes residenciais do Estado. Isso em um cenário de bandeira verde (sem elevações de preço da energia) e de tarifas congeladas desde maio do ano passado.

Centenas de denúncias de que faturas da estatal estariam bem mais altas, e mesmo abusivas em relação ao habitual, em meio à pandemia (houve quem acusasse valores cinco vezes maiores que o de abril), foram postadas em diferentes redes sociais, nos últimos dias, por consumidores mineiros. Foi o caso de alguns moradores do bairro Buritis, Oeste da capital - conforme noticiou, nesta semana, o jornal Hoje em Dia

Segundo Passanezi Filho, o que pode ter havido, em casos pontuais e que atingiriam apenas um a cada dez mil clientes, seria um problema na medição do consumo, feita in loco, nos imóveis, por leituristas da Cemig. 

"Se houve erro de medidor, iremos corrigir. Mas só em uma a cada dez mil situações a gente identifica erros de leitura, é uma proporção baixa", afirmou. "Reiteramos ainda que não houve aumento da tarifa, e tampouco aumento global no consumo", acrescentou.

O presidente informou que, no caso dos clientes residenciais, desde o início da pandemia em Minas e da adoção de medidas de restrição, como o isolamento social, houve elevação de apenas 1% no uso de energia elétrica no Estado. Já para os clientes industriais, o cenário foi de queda de 25% no consumo.

"Ocasionalmente, o que pode acontecer de fato é que um ou outro consumidor tenha aumentado seu consumo, mas isso não tem o impacto que parece existir nas redes sociais", ressaltou, referindo-se à grande quantidade de pessoas que têm se queixado de aumentos supostamente abusivos, por meio da Internet.

Efeito positivo

Na reportagem do Hoje em Dia com exemplos de consumidores assustados com as contas, algumas até cinco vezes superiores às de abril, a orientadora educacional Cláudia Chaves Fonseca, de 55 anos, síndica de um prédio de 24 apartamentos no Buritis, contou que a fatura da Cemig foi considerada abusiva por mais da metade dos moradores - ela e a mãe incluídas. 

"Fiquei espantada com o aumento de mais de 90%, ainda mais que não alteramos em nada nosso consumo. Uma vizinha relatou que a conta dela veio cinco vezes maior: de R$ 57 para R$ 254”, disse Claudia, lembrando que formalizar queixas na Cemig também era difícil. “O atendimento presencial está suspenso e os únicos canais disponíveis são virtuais”.

Nesta quarta-feira (6), a síndica entrou em contato com a equipe do jornal para informar que, após a publicação das queixas, na terça-feira (5), um supervisor da Cemig foi ao prédio e tirou fotos dos relógios de medição de energia. "Ele disse que dará retorno na sexta-feira", relatou.