Com custos cada vez mais elevados, cerca de 3 mil bares e restaurantes fecharam as portas na capital desde março de 2020, segundo o Sindibares-BH. Os que conseguem se manter abertos estão fazendo isso graças à diminuição significativa das margens de lucro. 

Cristiane Gontijo, de 48 anos, sócia do restaurante Trem de Minas, região Oeste de BH, adotou a tática de segurar preços para evitar perda ainda maior da clientela. “O valor do quilo no nosso restaurante permanece o mesmo (R$ 49,90) desde novembro de 2019”, diz a empresária, que reduziu de 15 para cinco os funcionário da casa. 

Frear preços também foi a tática da gerência de um dos mais tradicionais restaurantes da capital, o Café Palhares. Carro chefe do estabelecimento, o Kaol, composto por arroz, farofa de feijão, torresmo, ovo frito, couve e linguiça, mantém o mesmo valor há seis meses (R$ 21,90). “A gente diminuiu a margem de lucro, levando em conta que o poder de compra dos nossos clientes também diminuiu”, destaca André Palhares, gerente do restaurante. 

Embora donos de restaurantes tenham aderido ao congelamento, consumidores se queixam de dificuldades para comer forapor causa dos valores. A auxiliar de escritório Elisângela Castro, por exemplo, viu reduzido em 30% o poder de compra do vale-alimentação recebido da empresa em que trabalha, em Betim. “Até o final do ano passado, eu conseguia comer todos os dias do mês usando o tíquete; agora, no dia 20 o dinheiro já acabou”, lamenta.

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