Cerca de 140 mil pessoas poderão perder o emprego no comércio da capital mineira até o fim da pandemia. A estimativa foi feita pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). A entidade e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel) participaram de uma coletiva nesta quinta-feira (16) e criticaram a prefeitura nas ações de combate à Covid-19.

De acordo com a CDL, o setor movimenta 72% do PIB da metrópole e cerca de 7.200 empresas já fecharam as portas, de março a junho. Os números foram levantados com base em informações repassadas pela Junta Comercial.

protocolo da prefeitura de BH, apresentado na noite de quarta-feira (15), com regras a serem seguidas pelo comércio para a reabertura das atividades, foi duramente criticado.O presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, afirmou que a CDL não participou da discussão. Ele diz que a PBH se nega a dialogar com o setor.

Marcelo

Presidente da CDL cobra diálogo com a Prefeitura de BH

Para Marcelo Silva, os investimentos deveriam ter sido feitos na criação de novos leitos. Ele afirmou que é mais barato investir em vagas de UTI do que na recuperação econômica.

“Queremos saber qual é o cronograma de abertura de leitos. É isso que importa para abrirmos o comércio. O prefeito virou as costas para o comércio de BH. O comércio está sangrando por sua culpa”, afirmou.

Críticas também por parte da Abrasel

No setor de bares e restaurantes, Minas já perdeu 40 mil empregos até junho, informou a Abrasel. "A nossa estimativa é que, até a reabertura, nós vamos chegar a 60 mil postos de trabalho perdidos. Ou seja, praticamente 50% da força de trabalho perdida", afirmou o presidente da associação, Paulo Solmucci.

O empresário solicitou um cronograma de reabertura dos estabelecimentos na capital. Segundo ele, o setor não quer abrir em meio ao avanço da doença, mas um planejamento prévio é necessário. Ele fez questão de expressar a indignação com a administração municipal.

Solmucci

Presidente da Abrasel pede cronograma de reabertura de bares e restaurantes na capital

“Demos um basta na prefeitura. Vamos fazer uma proposta pública de reabertura da atividade econômica com a sociedade”, informou, sem dar detalhes. Segundo Solmucci, uma manifestação será organizada na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul, na quarta-feira (22), cobrando uma posição da PBH.

Paulo Solmucci ainda citou cidades que fecharam bares e restaurantes na mesma época que BH e já reabriram. Ele citou o número de casos em Florianópolis (SC), por mil habitantes, que seria a metade do que foi registrado na capital mineira.

A prefeitura de Belo Horizonte foi procurada para falar sobre as críticas, mas não se pronunciou.