Após se encontrar com Romeu Zema (Novo), na tarde desta segunda-feira (2), em Belo Horizonte, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a se posicionar de forma contrária à recomposição salarial para servidores da segurança pública mineira, aprovada pela Assembleia e que aguarda sanção do governador mineiro. Ele garantiu, no entanto, que o tema não foi debatido no encontro.

Na Cidade Administrativa, Doria repetiu o que havia dito mais cedo, antes de fazer palestra a empresários, na capital: o aumento poderia fazer com que servidores da Segurança de outros estados pressionem seus governadores para obter o mesmo tratamento. “Eu havia dito que é uma tema de Minas, uma solução que Minas deve encontrar para  essa questão, mas evidentemente que se essa decisão for mantida pode afetar São Paulo e outros estados brasileiros”, afirmou Doria.

O tucano garantiu, contudo, que na reunião com Zema, à qual a imprensa não teve acesso, o assunto tratado foram medidas de conciliação das equipes de Defesa Civil dos dois estados, intercâmbio motivado pelas fortes chuvas que atingiram MG e SP neste início de ano.

DORIA ZEMA

Projeto de Zema para reajuste de servidores da Segurança Pública em Minas, criticado por João Doria, não teria sido abordado em reunião

Além dos governadores Zema e Doria, também participaram também da reunião na Cidade Administrativa o secretário de Governo de Minas, Bilac Pinto, o chefe da defesa Civil e do Gabinete Militar do governo de Minas, Coronel Rodrigo Rodrigues, o coordenador adjunto da Defesa Civil mineira, Tenente Coronel Flávio Godinho, o Secretário Chefe da Casa Militar e coordenador da defesa civil do governo do estado de SP, Coronel Walter Nyakas, e o secretário especial do estado de São Paulo em Brasília, Antonio Imbassahy.

Pressão

Durante o início da tarde, Doria afirmou que o reajuste para os servidores não era bom para Minas Gerais e que as consequências extrapolariam os limites do estado. “É inviável e pressiona, sim (os demais estados), porque estabelece um conceito de que se Minas, com dificuldade financeira, pode fazer, e os outros estados, por que não fazer? Porque não têm condição para isso. É preciso que essa decisão seja revista no âmbito da sua legalidade”, afirmou.

Sobre os reflexos nos demais estados, Doria desvinculou o reajuste do que ocorreu no Ceará, com o recente motim dos policiais. “Não acho que haja conexão nesse sentido, foi uma decisão local, um tema local, que o governador Camilo Santana (PT), com o apoio dos demais governadores, soube conduzir com destreza, com firmeza mas com equilíbrio e diálogo, tanto é que encerrou-se ontem à noite o motim e a greve”.