O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), e o senador Antonio Anastasia (PSDB), classificaram, nesta terça-feira (30), como “bobajadas” e “absurdas”, respectivamente, as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre as mortes na ditadura militar. As manifestações aconteceram após Bolsonaro afirmar que poderia contar como o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, foi morto por agentes da ditadura, após ser preso.

Kalil disse que Bolsonaro deveria se preocupar com outros temas, como investimentos na saúde, ao invés de “bobajada de 1964”. “Eu queria que o presidente estivesse falando em aumentar o repasse do SUS (Sistema Único de Saúde), da parte social, que não escutei uma palavra ainda, porque bobajadas de 1964, eu tinha cinco anos e não me interessa”, disparou Kalil. 

Pelo Twitter, o senador Anastasia classificou como “vergonhosa” a declaração de Bolsonaro. “Dentre as diversas declarações absurdas proferidas pelo Presidente da República nestes primeiros meses de mandato, e não foram poucas, a última, referente à morte do pai do Presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, extrapolou qualquer limite”, disse o senador.

A declaração de Bolsonaro foi feita à TV Globo nesta segunda-feira (29), enquanto o capitão reformado falava sobre o caso de Adélio Bispo, autor da facada contra o presidente em Juiz de Fora, em 2018, durante a campanha eleitoral. Bolsonaro teceu fortes críticas à atuação da OAB porque, segundo ele, a organização impediu que o sigilo telefônico do advogado de Adélio fosse quebrado.

“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, disse o presidente. “O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco”, completou Bolsonaro.

Segundo o relatório da Comissão da Verdade, o militante estudantil e membro da Ação Popular Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, desapareceu em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro, logo após ser preso no DOI-Codi do Rio. Fernando foi considerado “preso e morto por agentes do estado brasileiro (...) sem que seus restos mortais tenham sido entregues à sua família”. Um dos agentes da ditadura militar afirmou à Comissão da Verdade que Fernando foi uma das vítimas incineradas numa usina em Campos dos Goytacazes (RJ). 

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, afirmou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Bolsonaro conte o que sabe sobre a morte de seu pai.

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