Micro e pequenas indústrias do país sinalizam forte retomada de atividades

André Santos
andre.vieira@hojeemdia.com.br
17/08/2021 às 08:05.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:41
 (Maurício Vieira/Hoje em Dia)

(Maurício Vieira/Hoje em Dia)

A situação financeira e as perspectivas dos donos de micro e pequenas indústrias brasileiras estão bem melhores no 2º trimestre deste ano em comparação ao 1º e, sobretudo, ao último trimestre de 2020. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) – realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) – a média de pontos alcançada no país de abril a junho chegou a 46,5 pontos. No 1º trimestre do ano ficou em 43,9. 

Em comparação aos últimos três meses do ano passado – quando o índice chegou a 34,1 pontos –, o crescimento foi ainda maior. 
Segundo o relatório técnico da CNI, há a expectativa de novos aumentos do indicador, “em decorrência do avanço da vacinação no Brasil, que está atingindo faixas etárias que abarcam a população economicamente ativa; do aumento do volume de produção; e da manutenção da criação de empregos no setor industrial”.

Finanças

Os dados da CNI indicam que, de forma isolada, a situação financeira das pequenas indústrias apresentou melhora significativa no segundo trimestre – alcançando 42,3 pontos. Em comparação aos três primeiros meses a alta foi de 4,5 pontos.

Otimismo se traduz na avaliação de entrevistados quanto à manutenção do ritmo ascendente de produção: indicador atingiu 52,6 pontos

O otimismo para o setor também é demonstrado na percepção dos empresários em relação à manutenção do ritmo de recuperação da atividade industrial. O indicador das perspectivas da pequena indústria apontou aumento de 0,5 ponto em junho de 2021, alcançando 52,6 pontos.

O cenário de retomada para as pequenas indústrias tem levado empresários a investir em infraestrutura para ampliar a capacidade produtiva e abrir novos postos de trabalho.

Sócio de uma indústria que fabrica filamentos para impressoras 3D, Wesley Meireles da Silveira viu o número de funcionários dobrar nos últimos seis meses após investir mais de R$ 2 milhões em equipamentos e insumos. “Vimos uma oportunidade única de diversificar nossos produtos e estar ainda mais preparados para alcançar o mercado após a retomada plena”, explica.

Rodrigo Vilella, dono de uma fábrica de aditivos para caminhões e produtos para tratamento de água, fez aporte de R$ 2 milhões para suprir a alta demanda pelos produtos que saem da unidade, em Betim, na Grande BH. “Tivemos que contratar mais e ampliar nossa produção e logística de entrega para dar conta da demanda, que cresceu acima do que esperávamos”, garante Rodrigo.

Dicas vão do planejamento à antecipação de problemas maiores, até com a venda do imóvel

A melhor saída para evitar os transtornos causados pelos atrasos nas parcelas de financiamento de imóveis é o planejamento. Seja para dar adeus ao aluguel ou para comprar um imóvel maior, muitos consumidores acabam desprezando os riscos de financiamentos de longo prazo e consideram a situação econômica só no ato da compra. 

“O grande problema é que as pessoas não fazem conta. O que se paga nos primeiros cinco anos é apenas para amortização dos juros. Pouco é descontado do saldo devedor. Se o comprador percebe que tem uma queda de renda, tem que abrir mão desse imóvel e vendê-lo para não perder tudo, pois não há margem de renegociação dos contratos”, explica o advogado Silvio Cupertino.

Essa foi a opção da vendedora Juscelia Rodrigues, de 39 anos. Ao ver a renda despencar na pandemia, não pensou duas vezes e colocou à venda o apartamento de dois quartos em que morava sozinha em Ibirité, na Grande BH. 

“Quando comprei, a prestação representava 15% da minha renda; hoje, ultrapassa 40%. Estou com as prestações em dia, mas está cada vez mais difícil. Manter o apartamento é um sacrifício. Não vale a pena”, garante a vendedora, que recentemente voltou a morar com a mãe.

Outro lado

Se, para os compradores, o momento requer muita cautela, o mesmo não se pode dizer para as construtoras. Apesar da instabilidade financeira dos consumidores e das taxas de juros mais altas – puxadas pelo aumento da Selic –, o mercado deve continuar aquecido até o fim do ano.

“Estamos caminhando para um cenário de certa estabilidade das taxas. Isso vai garantir uma segurança maior a quem está pensando em comprar um imóvel, principalmente os que vão trocar o aluguel pelo financiamento”, diz Renato Michel, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG. 

  

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