O vereador Wellington Magalhães (DC), alvo de dois pedidos de cassação na Câmara Municipal, surpreendeu os colegas na terça-feira (14) ao solicitar que eles votem a favor da instalação de uma Comissão Processante para analisar a perda do seu mandato. Os parlamentares decidem hoje se aceitam ou não investigar o vereador do DC.

Em entrevista ao Hoje em Dia, Magalhães negou “qualquer chance de renunciar” e se desculpou pelos áudios vazados nesta semana, mas negou ter feito “ameaças reais” ao promotor de Justiça Leonardo Barbabela e ao vereador Mateus Simões (Novo). 

Na sessão plenária de ontem, Magalhães foi o primeiro a chegar à Câmara, quase uma hora antes do início dos trabalhos legislativos, às 15h. 
Ele conversou com vários colegas antes de usar o microfone em Plenário e pedir para que os vereadores votem “sim” pela abertura da Comissão Processante. “Estou muito tranquilo, acho que tem que ter investigação mesmo. Tem que ter. Por isso, peço aos meus colegas que votem sim amanhã (hoje) pela transparência”, disse.

Neta semana, as denúncias contra o vereador do DC ganharam novo peso, após a divulgação de áudios nos quais Magalhães parece fazer ameaças a Mateus Simões e a Leonardo Barbabela, responsável por denunciar Magalhães por suposto desvio de R$ 30 milhões da Câmara enquanto era presidente da Casa.

Questionado sobre os áudios, Magalhães disse que foi uma “questão de desabafo” e negou ter feito ameaças às autoridades. Ele também disse ter pedido desculpas ao promotor Barbabela. “Foi uma questão de desabafo, nunca ameacei ninguém e nunca vou ameaçar. Até pedi ao promotor perdão por essa fala. Agora, eu e Mateus (Simões), simplesmente é uma briga política. Ele vem aqui todo dia usar o microfone e falar que sou bandido, sendo que nunca fui condenado. São coisas que machucam, sendo que você tem filho e família”, disse Magalhães.

Votação

A leitura dos pedidos de cassação contra Wellington Magalhães foi aceita pela Procuradoria da Câmara Municipal nessa segunda-feira. Hoje, a presidente da Casa, Nely Aquino (PRTB), fará a leitura dos pedidos, sendo um deles protocolado por Mateus Simões (Novo) e o outro pelo advogado Mariel Marra.

Entre os vereadores, há consenso de que existem mais do que os 21 votos necessários para abertura de uma Comissão Processante. Alguns parlamentares, porém, chegaram a cogitar que Magalhães poderia renunciar para evitar a cassação, mas o vereador negou a possibilidade. “Nunca passou isso pela minha cabeça. Fui eleito pelo povo por mais de 13 mil votos e vou continuar”, disse o parlamentar.


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