O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), foi um dos sete de 27 gestores estaduais que não assinaram carta aberta conjunta contra declarações e críticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), referentes ao Congresso Nacional, durante o enfrentamento à pandemia da Covid-19 no Brasil. O documento foi divulgado no final da tarde deste domingo (19).

Bolsonaro voltou a participar, à tarde, de manifestação com grande aglomeração de pessoas contra o Congresso e pela volta do regime militar, em Brasília. Eventos do tipo se repetiram em outras capitais, inclusive BH, e foram motivados, desta vez, pela comemoração do Dia do Expército. 

Na pauta dos manifestantes, aparentemente endossada por Bolsonaro, estiveram também a luta contra a quarentena e seus efeitos na economia, críticas diretas aos presidentes do Senado e da Câmara e a defesa de um novo golpe pelas Forças Armadas e da instauração de um segundo AI-5 no país.

"O Fórum Nacional de Governadores manifesta apoio ao Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diante das declarações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a postura dos dois líderes do parlamento brasileiro, afrontando princípios democráticos que fundamentam nossa nação", sustenta a carta dos chefes dos Estados, não assinada por Zema.

"Nesse momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises, temos testemunhado o empenho com que os presidentes do Senado e da Câmara têm conduzido, dedicando especial atenção às necessidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios brasileiros. Ambos demonstram estar cientes de que é nessas instâncias que se dá a mais dura luta contra nosso inimigo comum, o coronavírus, e onde, portanto, precisam ser concentrados os maiories esforços de socorro federativo", prossegue o documento.

"Nossa ação nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios tem sido pautada pelos indicativos da ciência, por orientações de profissionais da saúde e pela experiência de países que já enfrentaram etapas mais duras da pandemia, buscando, neste caso, evitar escolhas malsucedidas e seguir as exitosas", acrescenta. 

"Não julgamos haver conflitos inconciliáveis entre a salvaguarda da saúde da população e a proteção da economia nacional, ainda que os momentos para agir mais diretamente em defesa de uma e de outra possam ser distintos. Consideramos fundamental superar nossas eventuais diferenças através do esforço do diálogo democrático e desprovido de vaidades. A saúde e a vida do povo brasileiro devem estar muito acima de interesses políticos, em especial nesse momento de crise", conclui. 

Além do gestor mineiro, deixaram de colocar seu nome no documento os governadores Gladson Cameli (Acre), Wilson Lima (Amazonas), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Ratinho Júnior (Paraná), Marcos Rocha (Rondônia) e Antônio Denarium (Roraima).

Repúdio

As manifestações pró-intervenção militar e pelo fechamento do Congresso, com a participação do presidente da República, geraram mensagens de repúdio de diversos políticos e autoridades.

Alvo direto dos protestos, o presidente  da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), por exemplo, escreveu em sua conta do Twitter: "Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia".

Já o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, considerou as manifestações gravíssimas. "É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever. Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons (Martin Luther King)", ressaltou, também pelas redes sociais.