Dinheiro mais caro

Nova alta da Selic reforça atenção com cartão de crédito e cheque especial

Hermano Chiodi
hcfreitas@hojeemdia.com.br
Publicado em 06/05/2022 às 06:30.

Consumidores que têm dívidas no cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e financiamentos vão pagar juros maiores a partir do aumento na Taxa Selic, anunciado pelo Banco Central nesta quinta-feira (5), após reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Foi a décima alta consecutiva na taxa, que chegou a 12,75% em maio.

A economista Mafalda Valente, professora da Faculdade Promove, ressalta que a taxa é uma referência para vários índices bancários. “É a referência do custo para aquisição de capital. A taxa Selic alta atrai investimentos em busca de juros elevados, porém, prejudica o setor produtivo, como construção civil, e pressiona dívidas bancárias, como no cartão e cheque especial”, explicou.

Um levantamento mensal feito pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostrou que os juros do cartão de crédito, por exemplo, saltaram de 11,54% ao mês, em março do ano passado, para 13,58% em março desse ano. Ao ano, o patamar   pode chegar a 323%.

A taxa Selic é utilizada pelo governo para tentar conter a inflação, que, de acordo com o IPCA-15 divulgado em abril, já chega a 12% em 12 meses, muito acima da meta inicial do governo que era de 3,5% para este ano. É uma estratégia do governo para diminuir o consumo e forçar uma queda nos preços. Porém, uma das consequências é o desestímulo ao crescimento econômico e à geração de empregos, como explica João Pio, coordenador do núcleo de estudos econômicos da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). “É interessante lembrar que, neste ano, a inflação já está alta, acima do previsto, então o governo está mirando segurar a inflação no próximo ano”, afirmou.

Contudo, as sucessivas altas da Selic e o desestímulo ao crescimento econômico, promovidos pelo governo federal, têm motivado críticas de alguns setores. O economista da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Paulo Casaca, por exemplo, questiona a efetividade da medida. “Em um momento de grande fragilidade do setor produtivo brasileiro (pandemia, falta de insumos, demanda deprimida), elevar os juros demasiadamente pode gerar mais problemas do que solução”, afirmou.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também alertou para os efeitos negativos da medida. “Este novo aumento da taxa de juros deve comprometer ainda mais a atividade econômica, que já dá claros sinais de fraqueza”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

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