Poder comparar – e quase igualar – Hulk a Dadá Maravilha é um privilégio que o torcedor Élcio Diniz Dutra pode ostentar. Presente no primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, o dentista, natural de Belo Horizonte, tinha 24 anos quando gritou “é campeão brasileiro!” pela primeira vez. A essa memória que ele considera “inesquecível”, houve muita entrega, frustrações e espera. Agora, aos 74 anos, ele volta a gritar, tendo a certeza de que “esta não será a última vez”. 

Durante a temporada de 2021 do Atlético, Élcio esteve presente em quase todos jogos em que foi possível a entrada de torcedores. “É minha paixão. Eu não perco em hipótese alguma”, contou. 

São inevitáveis as comparações dos dois elencos campeões brasileiros do Galo – até porque é disso também que o futebol é feito –, e Dutra dispensa saudosismo ao dizer que o time atual é melhor, que o técnico Cuca é mais estratégico, e que a torcida continua incrível. Para ele, depois de grandes tristezas e decepções pós-jogos, não há nada que não esteja perfeito nessa festa. 

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No estilo do Galo

No entanto, o passado também o emociona. Lembrar de 1971 é ter orgulho da história do seu time, se alegrar por ter vivido um grande momento e saber (sem ninguém ter contado, afinal, ele estava lá) que o Maracanã estava cheio, que foi uma loucura e que o personagem protagonista não era Hulk, mas era o Peito de Aço. “Os dois são nomes inesquecíveis na história do Atlético. Dois grandes craques, cada um à sua época”, comenta.

Para assistir à final de 71, Élcio comprou o ingresso e preparou o fusca e a família para ir ao Maracanã na véspera de Botafogo x Atlético e assistir à final em 19 de dezembro daquele ano. No caminho, porém, ele bateu o carro, e o pensamento que veio à cabeça foi um só: “Vou perder o jogo”.

Mas não perdeu. Quem tinha batido no seu carro era um velho amigo, que logo deu um jeito de arrumar outro fusca para Élcio dirigir até o Rio de Janeiro.

Se engana quem pensa que ele só se lembra do gol de Dario, aos 16 minutos do segundo tempo. “Genial” era o nome da barraquinha onde ele comeu um cachorro quente antes de ser campeão. “Lembro de tudo como se fosse hoje”, relembrou. “Chegamos lá no Maracanã, e foi o que deu tempo de comer, pois já estava na hora de começar (o jogo). Foram poucas horas de muita alegria. E na hora do gol... Pura comemoração. O estádio naquela época ficava ainda mais lotado. Todo mundo se abraçando, e o Galo sendo o primeiro campeão brasileiro”, relatou.

Se recorda também que, na volta, o para-choque quebrou, na Serra de Petrópolis. Porém, nada importava muito para um campeão. “Depois que consegui resolver o problema, seguimos viagem. Ficaram somente boas lembranças. Tinha que ser dessa forma, bem no estilo do Galo”, contou.

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Essa foi uma das muitas viagens que Élcio fez para acompanhar seu time de perto. E esta paixão que o move, literalmente, é passada para seus filhos que o acompanham na maioria das vezes e, de acordo com sua percepção, “são mais atleticanos do que eu”.

Ele foi e é muitas coisas nesta vida, mas ser atleticano é com certeza uma das suas principais características, como ressaltou. “Sou identificado como ‘O Atleticano’ por todos. E é bom porque gostar do Galo é gostar de viver. Tenho muitos prazeres nesta vida, mas nada me faz mais feliz do que gritar ‘Galo’”, disse.

Antes de o clube consolidar o título deste ano, mesmo com tudo encaminhado para o Galo ser campeão, Dutra estava alinhado à fala dos jogadores e da torcida atleticana: “Está tudo encaminhado, mas ainda não ganhamos”.

Agora, com a certeza do bicampeonato, o dentista não fez planos para a comemoração. “Não quero nem saber, quero fazer tudo!”, emocionou-se.

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