Análise independente realizada pela Backer diz que a água utilizada para fabricação das cervejas da empresa não estava contaminada com as substâncias dietilenoglicol (DEG) e monoetilenoglicol. O estudo rebate o laudo emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que afirmou ter detectado os produtos químicos na água

Apesar da divergência, a cervejaria confirma que havia DEG em garrafas dos rótulos da Belorizontina e Capixaba, mas mantém a afirmação de que não utiliza o líquido tóxico na linha de produção. 

A análise foi realizada pelo professor de Química da UFMG Bruno Botelho e, conforme o especialista, a água foi enviada a ele pela própria Backer. Segundo o docente, a empresa entregou amostras do tanque, do restaurante, da caixa d’água e do trocador de calor. 

Sobre não ter sido o responsável pela coleta, o professor explicou que este é o procedimento de praxe de todas as análises que realiza. "Não foi um pedido feito pela empresa, mas é o procedimento padrão", garantiu. A Backer informou que, como a fábrica está interditada pelo Mapa, o acesso a ela está restrito.

Com relação à divergência nos resultados, Botelho explica que o ministério pode ter utilizado outra metodologia. 

Intoxicação em queda

A análise feita pelo professor atestou o mesmo índice de contaminação revelado pela Polícia Civil, de 0,83 gramas por 100 milímetros da Belorizontina e da Capixaba, nos lotes fabricados em 11 de novembro. 

De acordo com o estudo, houve redução do índice de toxicidade nos lotes seguintes. Em janeiro deste ano, na cerveja que está no tanque, a concentração de DEG caiu para 0,21 gramas por 100ml. “Isso indica que a contaminação foi pontual, uma vez que a concentração nas amostras vem diminuindo", declarou Bruno.

Na avaliação do especialista, se houvesse vazamento nos equipamentos da Backer, o nível de contaminação continuaria elevado. Isso seria um indicador a empresa pode ter sido sabotada.

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