Apenas 42% dos belo-horizontinos aderiram ao isolamento social no primeiro dia de recuo da flexibilização social implantado pela Prefeitura de Belo Horizonte. na última segunda-feira (29). O índice está aquém do esperado pelos especialistas da área da saúde, que consideram 50% como a taxa adequada.

No dia em que os serviços não essenciais foram fechados, a reportagem do Hoje em Dia percorreu a área central de BH e encontrou movimento atípico para uma cidade em quarentena. Apesar do vaivém menor de pedestres e carros, ainda era grande o fluxo em alguns locais, como na avenida Afonso Pena.

Muita gente também desrespeitou as recomendações sanitárias e saiu às ruas para praticar exercício físico ao ar livre. A atitude é reprovada pelos médicos, devido ao risco de contágio pelo novo coronavírus.

Integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid em BH, o infectologista Carlos Starling defende que a população faça um esforço de manter-se isolada para que a taxa de transmissão da Covid-19 diminua na cidade. Somente com menor contágio e  taxa de ocupação sob controle em leitos de enfermaria e UTI será possível retomar as atividades..

"O índice (de isolamento) ainda é baixo, parte da população não está fazendo o necessário. Mas é preciso uma readequação, principalmente neste período em que os serviços de saúde estão cheios", ponderou.

O médico acredita que a adesão ao isolamento deva melhorar, já que segunda-feira foi o primeiro dia com as regras mais rígidas. Starling frisa que, além de ficar em casa, os moradores da capital devem seguir as outras medidas sanitárias, como o distanciamento social e o uso de máscara caso seja necessário sair de casa.

Em queda

A taxa de isolamento social do Estado é ainda pior que a da capital. Conforme a empresa In Loco, que analisa a localização de 60 milhões de brasileiros por meio do GPS de celulares, o índice de adesão em Minas, na terça-feira (30), foi de apenas 38,22%. 

Com esse percentual, o Estado tem a sexta pior taxa de todo o Brasil, ficando atrás apenas de Sergipe, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Nesta quarta-feira (1º), Minas bateu a marca de mil vidas perdidas pela Covid-19. A ocupação dos leitos de UTI está em 87,65% e de enfermaria em 72,71%.

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