Um aumento no número de confirmações diárias de novos casos e mortes por Covid-19 em Minas já é esperado pelo governo, de acordo com o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. O boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (21) apresentou um acréscimo de 14 óbitos em relação ao levantamento do dia anterior, um recorde no Estado em relação à pandemia. No total, 191 pessoas morreram pelo novo coronavírus em Minas.

“Estamos acompanhando e é de se esperar, pela característica da epidemia, que tenhamos um certo aumento (na curva), tanto que estamos ampliando leitos”, disse o secretário, durante coletiva. Ele informou que, no início da epidemia no Estado, a média de mortes era de 3,6 por dia. Agora, a mediana subiu, nos últimos 14 dias, para 4,5 óbitos diários.

Mesmo com esse crescimento no número de confirmações de óbitos em um dia, Amaral afirma que os dados relativos a casos e mortes no Estado formam curvas que são menores do que as das projeções feitas anteriormente pela equipe técnica. Ou seja, a realidade é de menor contaminação pelo novo coronavírus do que havia sido previsto – graças ao isolamento social e às medidas de segurança, como uso de máscaras e higienização das mãos. 

A última projeção divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) prevê um auge da epidemia em Minas no dia 9 de junho, com mais de 1.600 pacientes com Covid-19 precisando de internação em terapia intensiva. Neste momento, o Estado conta com cerca de 2.600 leitos de UTI, enquanto a rede privada tem pouco mais de mil. O hospital de campanha, no Expominas, poderá ajudar a desafogar a rede hospitalar se houver uma grande demanda por leitos no auge da doença. 

Testagem

O Estado distribuiu aos municípios mineiros os mais de 551 mil testes rápidos enviados pelo Ministério da Saúde, mas o secretário fez questão de frisar que eles serão usados conforme um objetivo claro de monitoramento da doença junto aos profissionais da saúde e da segurança pública.

Ao menos por enquanto, não há previsão de que o Estado invista em uma grande ampliação da testagem da sociedade, segundo Amaral. O secretário explicou que os testes devem ser usados conforme um objetivo claro, para que possam contribuir para as políticas públicas de combate à epidemia.

“A testagem tem que ter um objetivo claro, que não seja a mera curiosidade e que traga eficiência para a política pública. Tem que ser feita com cautela, levando em consideração que os recursos são finitos e não há facilidade de comprar grande quantidade de testes”, disse Amaral.

O secretário explicou que o teste rápido (que verifica que as pessoas tiveram contato com o vírus), se aplicado em um grande número de pessoas de maneira não planejada e coordenada, apenas indicará que poucas tiveram contato com o novo coronavírus, já que a doença está presente no Estado há apenas dois meses.

“Na Espanha, onde a crise foi muito grande e houve perda de vidas grande, foi feita uma grande testagem após o pico da doença e verificaram que apenas 5% da população teve contato com o vírus. Se hoje testássemos 20 milhões de mineiros, teríamos um percentual muito pequeno de resultados positivos”, explicou.

O controle no uso dos testes, tanto rápidos quanto o PCR (que detecta material genético do vírus no paciente), é feito porque há uma falta em todo o mundo de diversos insumos importantes para a coleta de material, de acordo com a secretaria. Dessa forma, a prioridade de testagem continua sendo sobre os pacientes com síndrome respiratória grave hospitalizados, os profissionais da saúde e da segurança, os asilados e os detentos sintomáticos.

Durante a coletiva, o subsecretário de Vigilância em Saúde, Dario Ramalho, explicou que o Estado pretende ampliar a realização de exames para os pacientes sintomáticos (mesmo sem gravidade), mas que não vê necessidade de investimento na testagem em pessoas assintomáticas.

Ele explicou que a testagem em larga escala realizada pela Coreia do Sul (tão divulgada pelo mundo) utilizou o exame PCR, que verifica se a pessoa está com o novo coronavírus naquele momento. “A intenção era identificar quem tinha o vírus com vista de isolar o indivíduo. Uma medida de vigilância para conter a epidemia. Já fazer testes em assintomáticos para saber se tiveram contato com o vírus no passado, em via de regra geral, é um desperdício de recursos”, disse Ramalho.

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