Uma aeronave de pequeno porte caiu em uma vegetação do Aeroporto Carlos Prates, Região Noroeste de Belo Horizonte, na manhã deste sábado (23). De acordo com o Corpo de Bombeiros, as duas pessoas que estavam na aeronave saíram sem ferimentos. 

Ainda segundo a corporação, o motivo do acidente pode ter sido uma falha mecânica quando a aeronave estava decolando. Sem força para subir, o monomotor fez um pouso forçado ainda na pista e foi parar na mata que fica no entorno do Aeroporto Carlos Prates. 

avião

Cinco viaturas do Corpo de Bombeiros compareceram para fazer a estabilização da aeronave e evitar explosões. A perícia técnica também foi acionada.

O Aeroporto Carlos Prates funciona para a formação de pilotos e para voos particulares. De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o avião decolava, às 8h20, para a Curvelo, na Região Central de Minas. "Ao pousar, a aeronave (PR-TXG ) saiu da pista e ficou na região da cabeceira. Não houve feridos. A pista está interditada para a retirada da aeronave, que está sendo acompanhada pelo proprietário e pelos Bombeiros", diz a nota. 

Medo

O medo de acidentes ronda os mais de 57 mil moradores dos bairros vizinhos ao Aeroporto Carlos Prates. Desde 2008, pelo menos nove acidentes com aeronaves que decolaram do terminal foram registrados na capital.

“A gente vive nessa angústia desde os acidentes antigos. O medo é nosso parente e anda conosco diariamente. Não sabemos o dia de amanhã”, destacou Carolina Quelotti, moradora do bairro Caiçara há mais de 30 anos, que tomou mais um susto nesta manhã.

Só no ano passado dois graves acidentes foram registrados na região. No dia 13 de abril, um avião de pequeno porte caiu em uma rua do bairro Caiçara. A aeronave pegou fogo e o piloto Francisco Fabiano Gontijo morreu carbonizado. 

No dia 21 de outubro, um avião de pequeno porte caiu na mesma região e matou quatro pessoas. A aeronave tinha acabado de decolar do aeroporto. 

Após os acidentes, vários protestos foram feitos pelos moradores dos bairros Caiçara, Carlos Prates e Jardim Montanhês para o fim do funcionamento do Aeroporto Carlos Prates. Em dezembro do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública, com pedido de liminar, para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) averiguasse e corrigisse eventuais irregularidades relacionadas à segurança do aeroporto. 

Mas, segundo membros de uma comissão criada pelos moradores para acompanhar a situação do terminal, não houve nenhuma evolução desde o grave acidente em outubro. "Continua da mesma maneira. A gente começou a se movimentar, tentando pressionar para ter uma solução", destacou Eduardo Otoni, membro da comissão. 

Segundo o grupo, a propagação do novo coronavírus atrasou ainda mais a apuração da situação do aeroporto e aumentou o medo dos moradores da região. "A gente se posiciona para a retirada do aeroporto. Mesmo neste período de pandemia, ele continua funcionando. E, agora, a população que está em casa por causa do isolamento fica com medo ainda maior do avião cair na cabeça", acrescentou Otoni.