Belo Horizonte levará até quatro meses para se ver "livre" de todos os transtornos provocados pelas chuvas que castigaram a cidade no início do ano. A previsão para reconstrução total da metrópole é da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).

A prefeitura ainda mapeia os locais que vão precisar de intervenções e manutenções, mas estima que os pontos podem chegar 1.500. "São entre mil e 1.500, e isso somente na Sudecap, sem contar os demais órgãos, como Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte) e a SLU (Superintendência de Limpeza Urbana)", disse o superintendente do órgão Henrique Castilho.

De acordo com o gestor, para deixar o município sem as marcas dos estragos causados pelas enchentes, serão necessários entre R$ 200 e R$ 250 milhões. "Estamos trabalhando com os R$ 7 milhões que já foram liberados pelo governo federal e, também, com verba própria. O dinheiro não é problema", frisou.

BH está na lista para receber uma parcela dos R$ 892 milhões anunciados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para recuperar danos deixados pelas chuvas na região Sudeste. Ainda não há previsão de quando e quanto será repassado para a capital. "Mas acredito que parte do montante comece a ser liberada após o Carnaval", disse Castilho.

teresa cristina

Foto aérea mostra destruição na avenida Teresa Cristina após temporais

Prioridade
Nesta terça-feira (18), aproximadamente 300 locais da capital estão passando por intervenções. O superintendente da Sudecap afirmou que nenhuma área é priorizada. 

"Há operários e técnicos nas nove regionais. São aproximadamente 400 funcionários espalhados pelas ruas da cidade. Além de manutenção, há equipes específicas para obras da chuva e, também, para fazer o levantamento dos estragos", garantiu.

Castilho explicou que, no momento, o órgão atua nos locais em que as intervenções dispensam elaboração de projetos. "Estamos priorizando as demandas que podem ser atacadas de imediato. Não dá para trabalhar em locais de encosta, por exemplo, que o solo está molhado. É preciso respeitar o tempo necessário para execução daquela obra, a base tem que estar seca", explicou.

Dentre as ações realizadas estão restabelecimento de pavimentação, recuperação de vias, praças e canteiros, contenções, desobstrução das redes de drenagem, implantação de sarjeta, limpeza e desobstrução de bocas-de-lobo e bacias. "Em 30 dias, muita coisa já vai melhorar", destacou Castilho.

Além da avenida Teresa Cristina e Praça Marília de Dirceu, pontos mais destruídos pela força da água, também recebem reparos as avenidas Cristiano Machado, Silva Lobo, Sebastião de Brito, Risoleta Neves, Andradas e ruas Engenheiro Goulart, Patagônia, Albertina Teixeira Dias, Rubens Caporali Ribeiro, dentre outras.

marilia de dirceuAsfalto foi arrancado pela força da água na Praça Marília de Dirceu

Prevenção

As cenas de horror protagonizadas pela chuva histórica poderiam ter sido piores, com estragos ainda maiores para BH. Na avaliação de Castilho, as ações de prevenção realizadas pela prefeitura durante o período de seca, entre março e outubro, foram fundamentais para evitar algumas destruições.

"A chuva foi três vezes mais do que esperávamos e nenhuma cidade aguentaria todo aquele temporal. Mas, somente na Barragem Santa Lúcia, no ano passado, aumentamos a capacidade de armazenamento de água em 30%. Imagina se isso não tivesse acontecido?", indagou o superintendente da Sudecap.

O gestor citou, também, que as 64 bocas de lobo da cidade foram limpas pelo menos quatro vezes antes do período chuvoso.

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