O caminhoneiro Ronaldo Victor Santos, de 49 anos, que morreu no último domingo (8) supostamente intoxicado após beber cervejas da Backer, será enterrado em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O sepultamento está previsto para acontecer às 9 horas, no cemitério do munícipio.

O corpo de Ronaldo, que pode ser a 7ª vítima que perdeu a vida por causa da contaminação, foi liberado para os familiares e está sendo preparado para o velório. A cerimônia terá início às 18 horas e vai acontecer no bairro Tirol, região do Barreiro.

Por nota, a cervejaria Backer garantiu que "entrou em contato com a família, se colocando à disposição para ajudar no que for necessário". No entanto, a esposa do motorista disse que, até o momento, não foi procurada pela empresa mineira. 

Ronaldo deixa três filhos, sendo que a mais nova tem apenas 8 anos. O corpo passou por necrópsia e somente os exames vão poder atestar se o óbito foi provocado por dietilenoglicol (DEG) ou monoetilenoglicol - substâncias tóxicas que foram encontradas em rótulos da Backer. Ainda não há prazo para liberação dos resultados.

Ronaldo Victor Santos

Ronaldo era motorista, pai de três filhos e tinha 49 anos

No total, a Polícia Civil investiga 38 casos suspeitos, sendo quatro do final de 2018. Por causa da inclusão dessas novas supostas vítimas, a instituição ampliou o período de investigação para janeiro de 2018. Até então, suspeitava-se que as intoxicações estavam restritas ao fim do ano passado.

Até o momento, exames laboratoriais já atestaram a contaminação por DEG ou monoetilenoglicol em 11 vítimas - sendo que quatro morreram. 

Parceria 

Nesta segunda-feira (9), especialistas do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CBTN) - órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia - começaram a ajudar na investigação, que foi definida como complexa e inédita. Com a parceria, a polícia pretende descobrir se houve vazamento na fábrica da Backer, o que poderia justificar a contaminação das cervejas. Ainda não há prazo para conclusão do inquérito. 

O caso 

A fábrica da Backer foi fechada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A pasta também fez diversos exames e constatou substâncias tóxicas em 53 lotes de cervejas da empresa mineira. Todas as bebidas da marca foram retiradas de circulação. Além disso, a Justiça determinou que a Backer pague os tratamentos médicos e psicológicos das vítimas e familiares e bloqueou bens da cervejaria. 

Defesa 

Procurada pela reportagem, a Backer informou que segue colaborando integralmente com as investigações e reforçou que jamais utilizou dietilenoglicol em seu processo de produção. A empresa destacou ainda que conta com as autoridades para entender o que de fato aconteceu.

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