A Polícia Civil vai ouvir nesta segunda-feira (10) mais quatro pessoas no inquérito que apura 33 casos de intoxicação por dietilenoglicol supostamente relacionados ao consumo de cervejas backer. Os depoimentos são de vítimas e familiares que foram incluídos, recentemente, na lista da Secretaria de Estado de Saúde (SES). 24 pessoas já prestaram depoimento. 

A investigação, que completou um mês, é realizada pela 4ª Delegacia de Polícia do Barreiro, sob responsabilidade do Delegado Flávio Grossi. Não há, até o momento, nenhum caso anterior ao mês de outubro de 2019.

Amostras recolhidas tanto na cervejaria, que fica no bairro Olhos d´Água, na região Oeste da capital, quanto da empresa química que vendia o monoetilenoglicol, em Contagem, na Grande BH, continuam sendo analisadas pelas equipes de peritos do Instituto de Criminalística, e ainda não há previsão para a conclusão dos laudos.

Backer

Conforme a SES, 31 casos suspeitos de intoxicação foram notificados e seis pessoas morreram. Um desses óbitos está entre os quatro casos em que foi confirmada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Trata-se de um homem de 55 anos que morreu no dia 7 de janeiro, em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Ainda de acordo com a PC, o pedido para a exumação do corpo da mulher, que morreu em 28 de dezembro do ano passado, está sendo analisado pela Justiça.

A Vigilância Sanitária Estadual determinou a interdição cautelar de dois lotes da cerveja Backer Belorizontina e a Anvisa endossou a interdição dos mesmos produtos, ampliando a determinação para todo o país. Mas, a partir de novos resultados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Anvisa determinou a interdição cautelar de todas as marcas de cerveja da empresa Backer e lotes com data de validade igual ou posterior a agosto de 2020. Assim, os produtos não podem ser comercializados e distribuídos no país.

Ministério da Justiça

Nessa quinta-feira (6) o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), abriu processo administrativo contra a cervejaria Backer por inadequação do recall apresentado e consequências do consumo das cervejas impróprias.
Segundo a Senacon, a exposição de consumidores às cervejas impróprias gerou casos de intoxicação e de mortes por contaminação com as substâncias dietilenoglicol e monoetilenoglicol.

Enquanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) diz que foi encontrado monoetilenoglicol e dietilenoglicol em amostras do tanque de água usada na fabricação de cervejas, a Backer sustenta que os produtos tóxicos estavam apenas em tanques usados em processos de refrigeração, no qual não há contato com a bebida.

Análises Backer

Casos anteriores

O cidadão que tenha consumido o produto e se sinta prejudicado com a ingestão da bebida pode registrar um boletim de ocorrência em qualquer unidade policial. 

A Backer informou que, conforme acertado na última semana, por iniciativa própria, recorreu ao Ministério Público de Minas Gerais para ampliar o apoio humanitário dado aos familiares de consumidores que disseram ter sofrido algum problema de saúde, supostamente, em virtude do consumido de produto vinculado à Backer. 

“Diante disso, dentro das 72 horas, a empresa analisou documentos e realizou reuniões de forma individualizada com familiares de 12 consumidores, excetuando-se aquelas agendadas com os familiares dos Srs. Glaydson Leandro Amorim e João Roberto Borges que deixaram de comparecer ou justificar suas ausências. E ficou definido que a ‘logística’ do atendimento (total ou parcial) será definida e formalizada junto aos familiares, uma vez que há pedidos que extrapolam o mero fornecimento de recursos financeiros. Além disso, será informado o contato para agendamento do atendimento psicológico individualizado ou coletivo/ familiar, que será feito pela psicóloga clínica Maria da Conceição César (CRP 04/32581). Os familiares deverão entrar em contato com a mesma e realizar o agendamento de acordo com sua disponibilidade e comodidade”, diz o comunicado. 

Ainda conforme a Backer, os demais consumidores atendidos, que não foram contemplados pelo apoio preliminar da empresa nesse primeiro contato, continuarão a ser monitorados e receberão toda a assistência da cervejaria para auxílio nas próximas fases e suporte médico conveniente ao caso.