As fortes chuvas que atingem Minas Gerais nesta sexta-feira (24) já fizeram com que 2.343 pessoas deixassem suas casas. Dezesseis cidades tiveram intercorrências por causa das precipitações, conforme dados da Defesa Civil Estadual, que montou um gabinete centralizado para monitoramento dos casos.

Só na capital mineira choveu, em média, 620,2 mm em cada uma das nove regiões da cidade, o que corresponde a cerca de 188% da média histórica para o mês. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), entre quinta-feira (23) e esta sexta, Belo Horizonte superou o recorde de chuvas.

Das cidades afetadas, as que mais demandam atenção da Defesa Civil são Raposos, Sabará e Ibirité, todas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Ibirité, uma mulher e dois de seus filhos, de seis meses e seis anos, foram encontrados mortos em uma casa, após um deslizamento de terra.

O coordenador adjunto da Defesa Civil, tenente-coronel Flávio Godinho, disse que foi o único lugar onde houve mortes. Em Abre Campo, na Zona da Mata, houve uma pessoa ferida em uma inundação.

"Nós já estamos encaminhando ajudas humanitárias para Belo Horizonte, Contagem, Raposos, Sabará e Matipó. São pessoas fora de suas residências. Toda uma corrente do bem, junto com a Cruz Vermelha e o Servas que e também está recebendo doações", afirmou Godinho.

Nas 16 cidades, 1.940 pessoas estão desalojadas por causa das inundações. Outras 403 estão desabrigadas e estão impedidas de retornar às suas residências, seja por problemas estruturais ou inundações que deixem as casas ilhadas.

Em Rio Piracicaba, na região Central, 44 detentas que estavam em um presídio tiveram de ser retiradas à pressas após uma enchente ameaçar a unidade prisional. Elas estão sendo transferidas para Ponte Nova, na Zona da Mata.

Rio das Velhas

O rio que mais preocupa as autoridades é o rio das Velhas, que corta Sabará, na Grande BH. Segundo a Defesa Civil, rios que cortam Belo Horizonte e Contagem tiveram diminuição da vazão durante a tarde, mas o Velhas está com o volume muito alto e ainda está sendo impactado por água vindas de um afluente, o rio Itabirito, que, por sua vez, está recebendo água de uma represa.

"A Cemig tem uma barragem, a Rio Pedra, em Itabirito, que estava em manutenção com comportas abertas em 2019. Ela fechou as comportas a pedido da Defesa Civil. Esse local tem aproximadamente 130 m³ de água, com uma recarga de 165 m³. Mas começou a encher de mais e a Cemig está tendo que liberar gradualmente a água, cerca de 35 m³ por segundo. Isso vai contribuir com o rio das Velhas, que vai subir", alertou Godinho.

Por causa das chuvas que cairão ainda esta noite em todo o Estado, a Defesa Civil alerta para que moradores fiquem atentos a três sinais: árvores tombando ou rangendo, muros e encostas com barulho, trinca ou movimentações, e sons estranhos nas casas. "Em qualquer um desses sinais, não perca tempo. Saia de casa imediatamente e ligue para 193, 199 ou 190 que vamos arrumar abrigos seguros", afirmou o tenente-coronel.

Leia Mais:
Saiba como ajudar as vítimas da chuva em Minas
Corpos de mãe e filhos são encontrados após desabamento em Ibirité; mulher estava com bebê no colo
Macacos sofre com alagamento e moradores temem rompimento de barragem