Funcionários da diretoria da Vale convocados para acareação na CPI de Brumadinho, na Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (11), conseguiram habeas corpus. César Augusto Grandchamp, Cristina Malheiros, Renzo Albieri e Artur Bastos foram dispensados do depoimento, mas a reunião ainda ocorrerá e será aberta ao público, no Plenarinho IV da Casa, em BH.

As versões dos quatro membros do alto escalão da empresa e do também depoente Fernando Coelho, que atuava na Vale como operador e mantenedor mecânico por 18 anos, seriam confrontadas na sessão.

Os diretores defendem que a mina de Córrego do Feijão não apresentava riscos, mas Fernando relatou à CPI, na última semana, que o pai dele, Olavo Coelho, uma das vítimas do rompimento e também funcionário da companhia há décadas, foi convocado pela diretoria cerca de seis meses antes do ocorrido para verificar um vazamento na barragem.

Segundo o depoimento do operador, o pai teria dito aos gerentes que a estrutura poderia se romper e que os danos eram irreversíveis. No entanto, César Augusto Grandchamp, Cristina Malheiros, Renzo Albieri e Artur Bastos, que já depuseram no CPI em momentos anteriores, asseguraram aos deputados estaduais, em ocasiões distintas, que a barragem era aparentemente segura. 

A engenheira Cristina Malheiros era a responsável pelo monitoramento da estrutura, o geólogo César Grandchamp assinou o laudo de estabilidade emitido pela empresa de auditoria Tüv Süd, Renzo Albieri gerenciava a mina e o engenheiro Artur Bastos substituiu Cristina após a tragédia.

A reportagem do Hoje em Dia procurou a Vale para um posicionamento e aguarda retorno. A assessoria da Assembleia informou que será discutida pelos deputados, na reunião desta quinta, a possibilidade de nova convocação dos depoentes. 

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