O atleticano vive a expectativa de, nesta terça-feira (30), soltar um grito há 50 anos preso na garganta. Se o Flamengo não vencer o Ceará no jogo às 20h no Maracanã, o Galo será matematicamente campeão. A iminência do título movimenta também os vendedores ambulantes de BH.

Nas últimas semanas, é difícil andar pela capital e não se deparar com varais repletos de bandeiras alvinegras e faixas de campeão com o rosto dos jogadores do elenco atleticano.

No cruzamento entre as avenidas Amazonas e Contorno, o vendedor Márcio Silvério, de 48 anos, afirma que o movimento de torcedores em busca de materiais do Atlético é intenso desde as quartas de final da Copa Libertadores, quando o clube mineiro eliminou o River Plate.

"O movimento tá bom, vendo umas cinco bandeiras todo dia e até mandei colocar a segunda estrela de campeão", diz Márcio. 

Márcio Silvério, vendedor ambulante da av. do ContornoO vendedor Márcio Silvério está faturando com a possibilidade de título do Galo na av. do Contorno

Cada bandeira custa R$ 50. As faixas, embora mais baratas (R$ 15), seguem com pouca saída. Silvério espera que o movimento melhore a partir da consolidação do título.

Embora venda faixas e bandeiras, ele diz não gostar muito do esporte. "No futebol, sou neutro. Mas vendedor tem que aproveitar a oportunidade, né", comenta.

Em frente à sede do Atlético, no bairro de Lourdes, região Centro-Sul de BH, o movimento também é grande. Além das faixas e bandeiras, os ambulantes faturam vendendo pelúcias do famoso "cavalinho do Galo" (do programa Fantástico, da Globo) e do personagem Incrível Hulk, em alusão ao artilheiro do Brasileirão.

Um vendedor gaúcho que não quis se identificar por já ter sido abordado pela polícia durante o trabalho, diz vender cerca de 30 bandeiras por dia, com preços que variam ente  R$ 60 e R$ 120.

As faixas também não são sucesso em frente à sede. O torcedor atleticano parece esperar a certeza matemática do bicampeonato para comprar o artefato.

Questionado sobre a estratégia para a noite de terça-feira (30), o vendedor revela: "Vou pro hotel  vejo o primeiro tempo do jogo do Flamengo e, dependendo do resultado, volto pra vender mais".

O preço praticado pelos fornecedores dos materiais foi alvo de reclamação. "O pessoal aproveita pra meter a mão, né. Aumentaram muito nas últimas semanas, mas a gente dá um jeito. O importante é estar vendendo", critica o ambulante do Lourdes.

 

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