A quantidade de dietilenoglicol que a Backer afirma ter encontrado nas garrafas da cerveja Belorizontina, por meio de perícia própria, é suficiente para matar uma pessoa, levando-se em conta as considerações da Polícia Civil. Nesta quarta-feira (22), a cervejaria informou que o contingente do produto encontrado na cerveja não seria fatal, divergindo do padrão usado pela polícia.

Na nota enviada à imprensa, o perito Bruno Botelho, contratado pela cervejaria, diz que um adulto de 70 kg teria que consumir "por volta de 80 g dessa substância (dietilenoglicol)". Portanto, nas considerações do professor, uma pessoa teria que beber 16 garrafas da Belorizontina para consumir essa quantidade do dietilenoglicol, levando-se em conta que cada garrafa possui 4,8 g do produto tóxico.

Os dados fazem parte de uma perícia feita por Botelho a pedido da Backer, analisando quatro amostras de três lotes indicados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O perito analisou também bebida coletada de um tanque da fábrica.

Para a Polícia Civil, contudo, o entendimento é diferente. A pedido do Hoje em Dia, peritos da instituição confirmaram que a referida quantidade de dietilenoglicol em cada garrafa pode, sim, matar uma pessoa.

Na avaliação dos peritos, para matar uma pessoa de 70 quilos, bastariam entre 1 e 12 gramas da substância, que seria encontrada em qualquer garrafa, conforme os dados do próprio perito. Procurado para comentar os dados da polícia, Botelho não quis se manifestar.

Para o superintendente da Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil, Thales Bittencourt, a polícia trabalha com a menor quantidade com efeito fatal encontrada na literatura médica. "A contaminação por dietilenoglicol pode ser letal com a dosagem entre 0,014mg por quilo a 0,17 mg por quilo, se formos considerar o peso de uma pessoa, o que dá entre 1 e 12 gramas em caso de alguém com 70 kg", explicou.

Concentração

Conforme publicado nessa terça-feira (21) pelo Hoje em Dia, os estudos de Botelho mostram que a toxicidade dos lotes da Belorizontina foi diminuindo com o passar do tempo. No lote fabricado em 11 de dezembro, o índice de dietilenoglicol é de 0,83 gramas por 100 mililitros da cerveja. Já no lote de janeiro, na cerveja que está no tanque, a concentração de DEG caiu para 0,21 gramas por 100 ml.

“Isso indica que a contaminação foi pontual, uma vez que a concentração nas amostras vem diminuindo", declarou Botelho à reportagem. Na avaliação dele, se houvesse vazamento, a concentração continuaria elevada.

A Backer não comentou os números e a avaliação da Polícia Civil, e reafirmou que não foram encontradas amostras do dietilenoglicol na água da fábrica, ao contrário do que afirma o Mapa. A empresa disse também estar à disposição das autoridades.

Nesta quarta, a cidade de Montes Claros, no Norte de Minas, notificou o governo do Estado sobre um homem que trabalha numa distribuidora da cervejaria na região e que está com suspeita de intoxicação por dietilenoglicol. Seria o 23º registro, mas a SES ainda não confirma o dado como oficial, pois ainda aguarda análise dos técnicos estaduais. 

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