Passados onze meses do rompimento da barragem da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais tem outras 25 estruturas em alerta por riscos, inclusive de desabamento. Os números constam em relatórios da Defesa Civil estadual, que desde janeiro quando houve a tragédia vem informando a situação de cada barragem. Até a ocasião, não havia nenhuma estrutura listada.

Atualmente, as barragens são classificadas em três níveis de risco, seguindo critérios internacionais de classificação. A declaração de estabilidade, porém, é feita pelas próprias mineradoras. Em outubro, a Agência Nacional de Mineração (ANM), que é quem fornece as informações à Defesa Civil de Minas, chegou a interditar 33 barragens no Estado, por causa da falta ou reprovação do atestado de estabilidade.

Dentre as 25 estruturas classificadas em risco, 18 são da Vale. Três delas - Forquilha I e Forquilha III, em Ouro Preto, na região Central do Estado; e Sul Superior, em Barão de Cocais, na mesma região -, estão no alerta de nível 3, que significa risco iminente de rompimento. Nesta mesma classificação está uma quarta estrutura, a B3/B4, que fica em Nova Lima, na Região Metropolitana de capital. Esta última pertence à MBR S.A., que também é controlada pela Vale.

Mina Gongo Soco Barão de Cocais barragemBarragem Sul Superior, da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, está em nível 3 de alerta

A entrada de uma barragem na lista de alertas da Defesa Civil não é um mero protocolo. Em Barão de Cocais, desde o dia 8 de fevereiro, cerca de 460 pessoas estão fora de casa e moram em pousadas, hotéis, ou casas de parentes, já que, naquela data, a Vale passou o alerta da estrutura de nível 1 para 2. Em Itatiaiuçu e Nova Lima, na Grande BH, outras 200 pessoas sofrem com a mesma realidade.

Menor

Antes de uma barragem chegar ao nível 3, que exige essa saída imediata, elas se classificam em duas etapas de menor risco. No nível 1, são 18 estruturas pelo Estado, o maior número de todo o país, segundo a ANM. Nestas localidades, as mineradoras devem atuar para corrigir problemas nas estruturas, mas não significa que há risco de rompimento, e as famílias não precisam deixar suas casas.

Já no nível 2, Minas tem três barragens: Forquilha II e Grupo, em Ouro Preto, e a Barragem de Rejeitos da Arcelormittal, em Itatiaiuçu, também na região Central do Estado. Para estas minas, segundo a Defesa Civil, o protocolo exige treinamento de moradores para possíveis evacuações em caso de risco e instalação e acionamento de sirenes em caso de necessidades.

Veja abaixo a lista de barragens que estão, atualmente, com nível de alerta ativado em Minas, conforme a Defesa Civil. Os dados foram extraídos do boletim do órgão emitido nesta terça-feira (19):

Barragens em nível de alerta acionado em Minas Gerais

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