O jovem de 17 anos que entrou armado em uma escola da zona rural de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, e feriu dois colegas com tiros de uma garrucha, trocou de roupa antes de ameaçar os outros adolescentes na manhã desta quinta-feira (7). De acordo com o tenente-coronel Fábio Marinho, comandante do 19º Batalhão, o suspeito estava de uniforme quando pulou o muro da escola, mas colocou uma camisa preta e um boné depois que entrou na instituição.

“Talvez ele estivesse tentando imitar o caso de Columbine”, ponderou o tenente-coronel. Ocorrido em abril de 1999 nos Estados Unidos, o Massacre de Columbine entrou para a história como o primeiro grande atentado em escola promovido por alunos. Na ocasião em que 12 pessoas foram assassinadas, um dos dois assassinos usava boné e camisa preta.

Após esse ocorrido, ataques em instituições de ensino americanas se tornaram frequentes - mais de 90 registros somente no ano passado. No Brasil, esse tipo de ação não é tão frequente, mas desperta preocupação. Em março deste ano, dois adolescentes mataram sete pessoas em uma escola em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo. 

 

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Vídeo flagrou a ação de atiradores em Columbine, em 1999 

O adolescente ainda não explicou aos policiais porque trocou de roupa dentro da escola. Após atirar contra dois colegas, o jovem deixou a instituição e foi para casa, localizada nas proximidades. Na residência, o irmão do suspeito o convenceu a esperar pela chegada dos policiais.

Segundo o tenente-coronel, não foi localizado nenhum computador na residência do suspeito. O celular dele foi apreendido e encaminhado à delegacia juntamente com as armas.

À Polícia Militar, o suspeito alegou que o tiro foi acidental. Ele disse que a garrucha disparou, sem querer, no momento em que ele tentava abrir a porta. Afirmou que sua intenção era assustar duas meninas que não aceitaram ter um relacionamento amoroso com ele. Tudo indica, segundo o tenente-coronel, que o jovem não sabia manejar uma arma de fogo. 

O caso

Na manhã desta quinta-feira (7), um adolescente pulou o muro da Escola Estadual Orlando Tavares, no distrito de Ponto de Marambaia, portando uma garrucha, um facão e um simulacro de arma de fogo. No momento em que os alunos que estavam no pátio para a aula de educação física, o suspeito surgiu armado. Houve correria e gritaria.

O adolescente, então, se dirigiu até uma sala de aula e, no momento em que a professora e um estudante tentavam fechar a porta, a arma disparou. A bala atravessou a madeira da porta e atingiu o pescoço de um colega de 17 anos e o braço direito de um jovem de 16. 

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Tiro atravessou a porta de madeira e atingiu dos estudantes

 

Os dois feridos foram encaminhados ao Hospital Nossa Senhora Mãe da Igreja, em Padre Paraíso. O jovem que foi atingido no pescoço passou por uma transfusão de sangue para ser transferido para um hospital de Teófilo Otoni, por meio de Unidade de Saúde Avançada (USA). O quadro dele é estável.  

A Polícia Militar chegou a entrevistar um amigo do suspeito para verificar se teria ajudado no crime, mas nada indicou que o adolescente teria sido cúmplice. Apenas investigações mais apuradas poderão dizer se o suspeito contou com ajuda de alguém. O padrasto do suspeito, dono da garrucha, foi preso por omissão de cautela

O caso foi encaminhado à Delegacia de Novo Cruzeiro. Segundo a Polícia Civil, a perícia compareceu à escola para fazer os primeiros levantamentos. 

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que a equipe da Superintendência Regional de Ensino de Teófilo Otoni foi à Escola Estadual Orlando Tavares para apurar a situação ocorrida na escola na manhã desta quinta-feira (07/11) e dar todo o apoio e auxílio à direção da unidade escolar, à comunidade escolar e às famílias dos dois alunos feridos na ocorrência.

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