O volume de vendas do comércio varejista em Minas recuou 2,8% na passagem de agosto para setembro. Os dados são da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que essa é a quarta queda consecutiva. A última elevação foi em maio, com 9,5%, a maior registrada em 2021. O número segue a média nacional do varejo, que mostrou recuo de 1,3% também de agosto para setembro.

Para o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, a queda no volume de vendas está relacionada a uma série de fatores, como o processo de recuperação da atividade econômica, taxa elevada de desemprego, achatamento da renda, insegurança politica, entre outros. Para ele, isso traz uma incerteza para o mercado, postergando decisões de investimento e também de consumo.

Outro fator que incide diretamente é a inflação, que reduz o poder de compra das famílias. “Se antes um consumidor consumia uma determinada cesta de bens com mil reais, por exemplo, hoje ele não consegue consumir essa mesma quantidade de bens com o mesmo valor em termos monetários. Então são itens que têm um peso relevante no orçamento dos consumidores, no orçamento das famílias e o processo inflacionário acaba gerando uma deterioração adicional para esse peso”, explica. Para ele, esse processo leva muitas famílias a escolherem quais tipos de alimentos e bens elas levarão para casa.

Segmentos

Segundo o economista, os segmentos que mais impactaram de forma negativa os resultados de setembro em Minas foram os de móveis e eletrodomésticos; material de construção; e artigos de uso pessoal e doméstico.

Ele explica ainda que diversos segmentos estão sentindo o efeito inflacionário. “Hoje o que a gente observa é um processo inflacionário generalizado em diversos segmentos do mercado e principalmente naqueles itens considerados de necessidade, como é o caso de  alimentos, combustíveis e de itens e serviços relacionados à habitação, como é o caso da energia elétrica."

Confira a variação mês a mês no volume de vendas do comércio varejista em Minas de 2021:

Janeiro +3,2%
Fevereiro -1,3%
Março -1,6% 
Abril +0,4%
Maio +9,5%
Junho -2,0%
Julho -1,9%
Agosto -0,3%
Setembro -2,8% 

Leia mais:
CPI da Covid rejeita relatório que indiciava infectologistas e aprova novo texto com Kalil como alvo
BH libera shows para público em pé e espaço que possibilite dança; confira regras