Acompanhado de seus dois advogados, que, por sinal, são pais de alunos do colégio Magnum, o estudante de educação física de 22 anos, suspeito de abusar sexualmente de pelo menos dois alunos de 3 anos da instituição, comparecerá espontaneamente nesta quarta-feira (9) na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). O objetivo é ter acesso às informações do inquérito e prestar esclarecimentos aos investigadores do caso. 

Em entrevista ao Hoje em Dia, nesta terça-feira (8), claramente abalado e cansado, após dar mais de seis entrevistas ao longo do dia, o jovem contou que trabalhava há 4 anos e meio na escola, sendo a maior parte deles como auxiliar administrativo na escola de esportes, que é de uma empresa terceirizada, mas que funciona dentro das estruturas da escola. Como está cursando o 7º período da faculdade de Educação Física, desde o início do ano ele atuava como estagiário na área, trabalhando de segunda a quinta, das 13h às 18h. 

"No dia 1º de outubro (terça-feira da semana passada) eu fui chamado pela coordenadora depois de um dia normal de trabalho. Me informaram que o colégio estava passando por uma crise financeira e que teriam que fazer alguns cortes, mandando estagiários embora. Eu estava estranhando, perguntei várias vezes se tinha acontecido alguma coisa, pois até então eu era considerado um dos destaques pelos funcionários", lembra. 

Ele só foi ouvir pela primeira vez sobre os supostos abusos sexuais na sexta-feira (4), quando começou a receber mensagens de ex-colegas de trabalho, pais e até de alunos indagando sobre isso. "Eu só fui saber da investigação da polícia quando saiu na mídia. Foi então que eu procurei ajuda e, felizmente, os doutores Fabiano e Marciano, pais de alunos, resolveram me ajudar", conta o jovem, se referindo aos advogados Fabiano Lopes e Marciano Andrade. 

Procurada pela reportagem, a assessoria do Colégio Magnum se posicionou por meio de uma nota, informando as atitudes tomadas pela instituição. "Nesta terça-feira, 8 de outubro, a escola prestou os esclarecimentos necessários e aguarda a conclusão das investigações, cujo inquérito tramita sob sigilo. Sobre o afastamento do colaborador, a instituição reforça que a rescisão do contrato de estágio visou preservar a integridade de todos os envolvidos e a transparência da apuração do caso", diz o texto divulgado. 

Ameaças

Ainda de acordo com o estudante de educação física, desde que as denúncias vieram à tona ele deixou de frequentar as aulas na faculdade, teve que apagar as contas nas redes sociais e vem vivendo com medo, já que algumas ameaças foram recebidas. "A minha vida agora está complicada. Chegaram coisas como: 'não saia na rua' e 'você vai pagar por tudo o que fez'. Eu não sabia de casos como esse, mas meus advogados me mostraram o que aconteceu na Escola Base e até de um rapaz que foi assassinado sem ter nada a ver com uma denúncia de abuso. Vendo esses fatos e, por eu estar sendo acusado, fica esse medo, né?", revela.  

Questionado sobre o que falaria diretamente para as pessoas que não acreditam em sua inocência, ele apenas pediu para não ser julgado sem provas. "As pessoas vão no embalo e estão me julgando antes mesmo da polícia concluir qualquer coisa. O colégio tem uma estrutura excelente, circuito de segurança, acontecem aulas simultâneas com funcionários por toda parte, faxineiras, porteiros. Ninguém entra lá sem identificação, um pai, mesmo que conhecido de todos, não consegue pegar o filho de outra pessoa sem ter autorização. Eu era estagiário, não tinha autonomia para retirar uma criança da aula, estava lá só para dar suporte ao professor. Estou sendo acusado injustamente disso, não sei o que se passa na cabeça dessas mães, eu só quero ter acesso ao Boletim de Ocorrência para ver o que estão falando", completou. 

'Ele já trabalhou em festas até na casa do diretor', diz advogado

Durante a entrevista, o advogado do estudante, Fabiano Lopes, contou que ele e seu colega, Marciano Andrade, são pais de alunos da escola e que estão atendendo o jovem de forma "altruísta". "Nossos filhos eram monitorados por ele, que não teria dinheiro para pagar um profissional. É um menino que a gente viu crescendo, ele veio do pó. Ganhava R$ 500 de estágio e pagava R$ 400 de faculdade. Sobra R$ 100 para ele comer. A gente sempre tentava ajudar ele, fazia cesta básica para entregar. Quando fazemos festa particular, chamamos ele. Já fez festa na casa do diretor da escola, até em casa de juízes que têm filhos lá", ponderou. 

Ainda de acordo com Fabiano, o objetivo deles era que o suspeito fosse na delegacia já nesta terça-feira, porém, um investigador pediu que eles aguardassem, já que pais de alunos prestariam depoimento neste dia. "Nós ainda não vimos inquérito nenhum, não tivemos acesso a nada do que ele está sendo acusado. Mas, nós temos convicção, já vimos as imagens das câmeras de segurança da escola, que tem um sistema de segurança muito sofisticado, e temos certeza que a polícia, que também recebeu estas imagens, vai perceber que não tem nada de anormal", disse. 

O advogado lembra ainda que cada aula de educação física tinha duração de 40 minutos e que, por isso, seria impossível que o estagiário tirasse uma criança do local, mesmo que por poucos minutos, sem que ninguém percebesse. "O próprio professor de educação física, ao qual ele era subordinado, já deu depoimento falando que ele não tinha prerrogativa para tirar qualquer criança dali. É por isso que ele está mostrando a cara, quem esconde a cara é bandido", finaliza Fabiano. 

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