Náusea, vômito, dor abdominal, paralisia facial, perda parcial da visão e alteração na sensibilidade. Esses são os principais sintomas da síndrome nefroneural, que provoca insuficiência renal e alterações neurológicas. A doença, que pode ter feito 17 vítimas em Minas, tem origem após a ingestão da toxina dietilenogicol (DEG), que foi encontrada em lotes da cerveja Belorizontina.

Chamada como "doença misteriosa" até bem pouco tempo, a causa da enfermidade foi esclarecida e o tratamento médico, definido. Um dos "antídotos" usados para expulsar o líquido químico do corpo humano é o etanol, também conhecido como álcool etílico.

Porém, o nefrologista Vinicius Colares, membro e diretor da Sociedade Mineira de Nefrologia (SMN), ressalta que o etanol só pode ser administrado dentro do hospital, através das veias do doente e sob supervisão médica. Em nenhuma hipótese é aconselhável fazer o uso em casa.

Terapia

"O etanol intravenoso é injetado no paciente levando em consideração o peso e outros fatores. Como ele e o DGE têm a metabolização semelhante, o etanol entra no corpo e o dietilenogicol sai. Mas tudo isso é monitorado, pois há vários efeitos colaterais", explicou.

Ainda conforme o especialista, o tratamento só faz efeito se o DGE ainda estiver no corpo do paciente. "Ele é totalmente eliminado pelo organismo, em média, em uns cinco dias. Depois desse prazo, ficam as sequelas e o tratamento passa a ser outro", detalhou.

Outro método usado pelos médicos, também enquanto a substância circula no corpo do doente, é a hemodiálise. "Ela é eficiente. Cada caso tem que ser avaliado pelo especialista", ressaltou Colares.

Recuperação

Depois que o DGE é eliminado pelo organismo, a única alternativa dos médicos é diminuir as lesões causadas pelo produto altamente tóxico. De acordo com o nefrologista, os pacientes são submetidos - além da hemodiálise - a fisioterapia e ventilação mecânica. 

"Entra a fase de reabilitação. A hemodiálise para ajudar os rins a voltarem a trabalhar. A fisioterapia para auxiliar os membros corporais que foram afetados. E, por fim, a ventilação mecânica para facilitar a musculatura do tórax, já que o paciente fica com dificuldade para respirar", detalhou.

O tempo de tratamento varia em cada pessoa e está relacionado, dentre outros motivos, à quantidade de substância tóxica ingerida, complicações causadas pelo DGE e tipo de lesão no cérebro.

Perigo

Segundo Colares, neste momento não se deve beber a cerveja sob investigação. "Se tomar e tiver os primeiros sintomas, já procure um hospital imediatamente para iniciar o tratamento", frisou. Conforme o médico, um exame de sangue é capaz de detectar a substância. "Sendo que o acúmulo de ácido é um dos principais indicativos".  

Nesta terça-feira (14), a Backer, produtora da Belorizontina, recomendou que a bebida não seja consumida.

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