Covid matou mais crianças em Minas que todas as doenças com vacinas oferecidas pelo SUS

Luiz Augusto Barros
@luizaugbarros
30/12/2021 às 19:10.
Atualizado em 04/01/2022 às 00:16
 (Erasmo Salomao/MS/Divulgação)

(Erasmo Salomao/MS/Divulgação)

Nos últimos dois anos, a Covid-19 matou mais mineiros com até 9 anos do que todas as doenças preveníveis com vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A comparação comprova a urgência da imunização de crianças contra o coronavírus, medida defendida por médicos e cientistas.

Nesta semana, o Ministério da Saúde deve definir se dá ou não aval para aplicação da Pfizer em meninos e meninas de 5 a 11 anos. A dose já foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Nos últimos dois anos, 78 crianças perderam a vida por complicações provocadas pela Covid em Minas, enquanto 62 duas morreram por pneumonia, 17 por meningite e duas por hepatite. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

Cabe ressaltar, no entanto, que os imunizantes disponibilizados pelo SUS não protegem contra todas as variações dessas enfermidades, que podem ser causadas por vírus, bactérias ou fungos.

A tuberculose matou uma pessoa dessa faixa etária no Estado nesse mesmo período. Varicela e coqueluche não têm óbito desde 2019. Outras enfermidades, como caxumba, rubéola, sarampo e difteria, não registram nenhuma morte há pelo menos cinco anos.

Para a infectologista Gabriela Araújo Costa, membro da Sociedade Mineira de Pediatria, a imunização de crianças contra o coronavírus é um dos caminhos para o fim da pandemia. “Quanto mais rápido a gente vacinar, menor a chance deles adoecerem e de continuarem transmitindo”, afirma a médica.

Segundo a especialista, o Brasil é um dos países onde mais morreram crianças por complicações do vírus. “Está relacionado a vários fatores, como políticos, sociais, a questão do negacionismo, o atraso na vacina, dificuldade de acesso ao serviço de saúde para fazer um diagnóstico rápido, vaga em UTI para os casos mais graves”. 

Com a aplicação do escudo, Gabriela afirma que a tendência é que os números de casos e óbitos infantis caiam e atinjam o mesmo patamar das outras enfermidades imunopreveníveis.

Capital
Conforme Paulo Roberto Correa, diretor de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Belo Horizonte, o Executivo está preparado para iniciar a aplicação da vacina contra o coronavírus assim que for disponibilizada. “Não depende mais da gente, só de chegar nas nossas mãos. O planejamento em si já foi iniciado. Vamos fazer como os outros grupos, chamando as crianças por idade”.

Diante da dúvida de muitos pais sobre vacinar os filhos, o diretor garantiu que a PBH já iniciou conversas com as equipes de saúde para incentivar a busca pela proteção. “Elas também participam da pandemia, tanto adoecendo como transmitindo para outras pessoas. Por isso é importante vaciná-las”, concluiu.

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