A cada semana, pelo menos 28 pessoas desaparecem em Belo Horizonte. De janeiro a novembro deste ano foram 1.270 boletins de ocorrências – uma média de quatro por dia, indicam dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). São crianças, jovens e idosos que deixam os lares sem dar pistas para as famílias e amigos.

DESAPARECIDO
Síntia Martins não mede esforços na tentativa de encontrar o irmão, desaparecido desde segunda-feira

Não ter notícias sobre o paradeiro do ente querido “é angustiante e uma dor imensurável”, descreve Síntia Martins Bastos, de 36 anos. Ela é irmã do engenheiro e contador Sanderley Fabrício Bastos, de 39, visto pela última vez na segunda-feira, às vésperas do Natal.

Evangélico e casado há mais de uma década, ele não teria dado indícios de que estaria com problemas financeiros, de saúde ou conjugal que justificassem uma possível fuga voluntária. “Por isso estamos desesperados e desnorteados. Desconhecemos qualquer motivo que tenha provocado o desaparecimento, e pensamos até no pior”, relatou Síntia.

O caso foi registrado na polícia. Agora, a família está distribuindo cartazes por toda parte na tentativa de localizar o engenheiro. “Estamos buscando em Contagem, cidade em que ele mora e trabalha, mas também em Betim e BH. Só queremos achar meu irmão”, disse.

“É mito essa história de que tem que esperar 24 horas para registrar a ocorrência (de desaparecimento). As autoridades devem ser chamadas assim que há quebra na rotina. O tempo é o maior inimigo. Quanto mais passa o tempo, mais fica difícil a localização” (delegada Maria Alice Faria)

Sofrimento

Quem vive a mesma angústia é a família do aposentado Gerino José Francisco, de 83 anos, desaparecido desde o início de outubro. Portador de Alzheimer – doença neurodegenerativa que provoca a perda de memória –, o idoso saiu de casa, no bairro Serra, região Centro-Sul da metrópole, para tomar sol, mas nunca mais voltou. 

Filha dele, a diarista Elizia de Jesus Francisca, de 54, conta que o pai sempre fazia o passeio acompanhado por algum parente. “Porém, nesse dia, o portão estava aberto e ele não foi mais visto”, recorda a mulher, aos prantos.

A procura por Gerino José é extensa, em todo o canto da cidade. Familiares já estiveram em hospitais e até no Instituto Médico-Legal (IML). No entanto, não há informações sobre o paradeiro dele.

De acordo com a Polícia Civil, 95% dos casos na capital mineira são solucionados. Nos seis primeiros meses deste ano foram desvendados 514 desaparecimentos na metrópole

Investigações

A Polícia Civil investiga todas as queixas de sumiço, garante a chefe da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, delegada Maria Alice Faria. Porém, a preocupação maior é justamente com idosos e quem tem deficiências mentais.

“Geralmente são mais vulneráveis e ficam mais expostos às circunstâncias graves, como suicídio e uso de drogas. Também não conseguem ter raciocínio equilibrado e podem ser vítimas de acidentes e até delas mesmo”, explicou.

A delegada informou não ser possível traçar um perfil dos desaparecidos. Eles são de todas as faixas etárias e classes sociais. Quando somem por vontade própria, os motivos são diversos, como conflitos familiares e dívidas.

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