O documento que está sendo exigido dos blocos que desfilam com trios elétricos adaptados no Carnaval de Belo Horizonte leva pelo menos um mês para ser emitido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a partir da data da solicitação da empresa credenciada, segundo informações do próprio órgão. Mas, a dificuldade enfrentada pelos blocos é ainda maior. 

Procuradas pela reportagem, as cinco empresas de inspeção veicular credenciadas pelo Denatran para realizar a inspeção e demandar ao departamento a emissão do Certificado de Adequação a Legislação de Trânsito (CAT) em Belo Horizonte informaram que não emitem o documento. "Não emitimos este documento", "Só em São Paulo você encontra quem emita" ou "Eu não conheço nenhuma empresa que faz isso"  foram algumas das respostas.  

Das outras 21 credenciadas no Estado, 16 também informaram que não fazem a solicitação ao Dentran. Cinco não atenderam às ligações ou o número de telefone não foi localizado. O CAT é uma espécie de "atestado" dos veículos que foram adaptados para se tornarem caminhões-palco, usuais na folia belo-horizontina. 

Imbróglio

Uma série de reuniões e ações judiciais aconteceram ao longo desta semana para tentar reverter o condicionamento da liberação dos veículos à apresentação do documento. A obrigatoriedade do documento afeta pelo menos 60 blocos da cidades, alguns com uma década de carnavais pela cidade. Juntos, eles arregimentam 2 milhões de foliões, 40% do público previsto para todo o período de folia belo-horizontina, que é de 5 milhões. 

Na noite desta sexta-feira (21), a Justiça negou mais uma vez pedido de blocos para liberar os caminhões adaptados e desfiles seguem ameaçados. Muitos blocos recorreram a empréstimos de última hora e o tradicional Juventude Bronzeada cancelou o seu desfile. 

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