A decisão do prefeito Alexandre Kalil (PSD) de permitir apenas o funcionamento dos serviços essenciais na capital mineira a partir da próxima segunda-feira (11) - após a cidade bater três recordes consecutivos de ocupação de leitos de UTI - recebeu críticas de sindicatos e entidades que representam comerciantes.

Nesta quinta-feira, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG) postou um vídeo na rede social da entidade, onde o presidente, Matheus Daniel, diz que os bares e restaurantes não vendem bebidas alcoólicas, por decreto, desde o dia 7 de dezembro e nem por isso os índices melhoraram. "Quer cobrar a conta de quem não é culpado", disse Daniel.

Ele também cita números sobre a diminuição de leitos na cidade e encerra dizendo que "a culpa não é nossa".

Assista:

Até esta quinta-feira (7), BH já teve 66.916 positivos de Covid-19, conforme o boletim epidemiológico, que trouxe ainda 1.923 mortes pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. Já a taxa de ocupação dos leitos de UTI segue preocupante, em alerta vermelho, com 85,1%. E os outros dois indicadores, internações nas enfermarias e taxa de transmissão do vírus, continuam em alerta amarelo.

Em nota, a prefeitura disse que lamenta os impactos que vêm sendo causados pela pandemia nas diferentes atividades econômicas e destaca que matém diálogo com esses setores para "construir conjuntamente alternativas e soluções para redução de danos".

O comunicado esclarece ainda que 156.958 empresas de serviços e de atividades essenciais (84% das empresas ativas instaladas na capital), incluindo o setor hoteleiro, continuarão autorizadas a funcionar. "Preservar vidas continua sendo a prioridade do Município e, nesse sentido, Belo Horizonte tem conseguido, entre as cidades brasileiras com mais 1 milhão de habitantes, ser a com a menor taxa de mortalidade".

Veja na íntegra a resposta da prefeitura sobre a disponibilização de leitos:

"Desde o início do ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) vem se mobilizando de forma incansável no enfrentamento desta pandemia em conjunto com os hospitais da rede. Uma das principais ações é a busca constante por leitos na Rede SUS/BH para o atendimento aos pacientes com suspeita de Covid-19, bem como a manutenção de leitos para atendimento aos pacientes com outras doenças e de urgências. 

O acompanhamento das internações no SUS e na rede Suplementar vem sendo feito diariamente. Ressalta-se que a gestão de leitos e das internações em Belo Horizonte deve considerar o somatório da rede SUS e da rede Suplementar, bem como a necessidade de internação dos pacientes com suspeita de Covid e das demais doenças, para que se possa ter um panorama geral da necessidade de disponibilização de leitos em todo o município.

Desta forma, mantém-se um monitoramento constante, a fim de que se possa tomar decisões em tempo hábil quando ocorrem variações de demanda de internação e de leitos. 

No momento atual, após as festas de fim de ano, ocorre um aumento da demanda por internações em decorrência da Covid-19 na rede SUS e, sobretudo, é possível verificar na evolução das taxas de ocupação, um crescimento proporcionalmente maior na rede Suplementar.

Além disso, diferentemente do que ocorreu no meio de 2020, no primeiro aumento de demandas de internação de pacientes com suspeita de Covid, a demanda de internação para outras doenças também tem sido alta, o que está dificultando fazer remanejamento de leitos nos hospitais para atendimento de pacientes com suspeita de Covid.

Com o número crescente de casos Covid e o aumento verificado para internações em leitos de UTI, os hospitais da rede têm relatado exaustão dos profissionais de saúde após um ano de muito trabalho no combate à pandemia, e também um aumento de licenças médicas e pedidos de férias que foram acumuladas ao longo do ano, o que tem ampliado a dificuldade de contratação imediata de profissionais de saúde no mercado para manutenção dos leitos necessários na cidade. 

Outro fator que vem dificultando o aumento de leitos de UTI na rede SUS é a crescente demanda da rede Suplementar, o que faz com que os hospitais mistos (que atendem rede SUS e Suplementar) remanejem leitos do SUS para o Suplementar.

 Diante disso, a Prefeitura informa que continua trabalhando e mantém o monitoramento constante para que tenhamos leitos suficientes para atender toda a necessidade da população tanto no atendimento da Covid quanto de outras doenças e de urgências".