O temporal que atingiu Belo Horizonte e causou estragos nesse domingo (7) ainda assombra moradores do bairro Primeiro de Maio, na região Norte da capital. Nesta segunda-feira (8), famílias e comerciantes que perderam “quase tudo” durante a chuva tiraram um tempo do dia para somar os prejuízos, fazer a limpeza dos imóveis e tentar recuperar o que sobrou.

Segundo o líder comunitário Nego Dê, em entrevista ao Hoje em Dia na tarde de hoje, mais de 100 famílias do bairro foram atingidas pela chuva que caiu sobre a capital mineira no domingo. O estrago foi visto, principalmente, em uma região do local que ainda não havia sido atingida por inundações em anos anteriores, na rua Oscar Lobo, conhecida como rua A.

Ainda de acordo com o representante comunitário, muitas famílias perderam móveis, roupas e mantimentos e agora aguardam ajuda para se reerguer. “A inundação foi em uma área que nunca alagou. Simplesmente a água subiu e encobriu 2 metros ou mais. Além das perdas, foram registrados desabamentos, além de outros imóveis que correm o risco de desabar. São mais de 100 famílias atingidas. Algumas estão em casa e outras estão nas ruas porque não têm para onde ir. Estão desalojadas. A gente precisa de ajuda porque algumas pessoas estão em casas em risco para terem um teto”, contou.

Estragos também foram registrados na Creche Etelvina Caetano de Jesus e em comércios localizados no bairro (veja galeria de fotos abaixo). Na manhã desta segunda, moradores do local e do entorno da Estação São Gabriel, realizaram uma manifestação como forma de cobrança à prefeitura, pedindo uma solução para um problema antigo. “Como estávamos sem opção e não houve uma resposta imediata da Prefeitura, nós fizemos uma manifestação. O Primeiro de Maio inteiro sofre com alagamentos há anos. Boa parte das pessoas que perderam tudo eram trabalhadores que trabalhavam na Estação São Gabriel. Muitos são ambulantes e perderam desde roupa a mercadoria”, disse.

Durante o protesto, líderes comunitários foram convidados para uma reunião com representantes da Defesa Civil e da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Segundo Nego Dê, há uma promessa para que obras sejam realizadas no local a partir de março. “Teremos mais um encontro nesta quarta para que eles possam explicar o que aconteceu e porque outro local do bairro passou a alagar. Buscamos soluções e conhecimentos dos fatos”, concluiu.

Em nota, a PBH informou que a inundação no local ocorreu por conta do rompimento da rede de drenagem de interior de um quarteirão no local e que enviará uma equipe para vistoriar o bairro e tomar as providências necessárias. Ainda segundo a PBH, a obra da primeira etapa de otimização do sistema de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão do Onça, na região Nordeste, que está em andamento, irá contribuir na diminuição do risco de enchentes na avenida Cristiano Machado, próximo aos bairros São Gabriel e Primeiro de Maio. “Será feita a implantação de canal paralelo à canalização existente do Ribeirão do Onça, iniciando nas proximidades do cruzamento da avenida Cristiano Machado com avenida Risoleta Neves até a divisa com a faixa de domínio da CBTU dentro da Estação São Gabriel, numa extensão de 286,96 metros. Estão sendo investidos R$ 44,7 milhões, com recursos provenientes do Fundo Municipal de Saneamento e do financiamento junto ao governo federal.  A previsão de término dos trabalhos é no segundo semestre de 2021". 

Durante a tarde e noite de ontem, o Corpo de Bombeiros recebeu 12 acionamentos relacionados às ocorrências de chuvas em pontos distintos do bairro. Entre os registros estão imóveis alagados e pessoas ilhadas em veículos e residências.  Foram realizados resgates e salvamentos no local.  Foi relatado que, em alguns pontos, construções não suportaram a força da água e muros, lajes e telhados caíram. Os militares realizaram os salvamentos e a Defesa Civil foi acionada.

Alerta de chuva superior a 100 mm

Até o início da tarde de terça-feira (9), o alerta é para que as chuvas continuem em Belo Horizonte. O temporal pode ser superior a 60 mm por hora ou maior que 100 mm por dia. Os ventos podem ser superiores a 100 km/h, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O aviso é reforçado pela Defesa Civil de BH, que aponta para a possibilidade de precipitações com volumes entre 20 a 30 milímetros até às 8h de terça. A chuva pode ser acompanhada de raios e rajadas de vento ocasionais em torno de 50 km/h. Até a manhã desta segunda-feira e em apenas oito dias, já choveu em Belo Horizonte mais do que o esperado para todo o mês de fevereiro.

Alerta de deslizamentos

A Defesa Civil também emitiu um comunicado na noite de domingo (7) chamando a atenção sobre risco geológico em todas as regionais da cidade até terça-feira por conta do acúmulo de água. Recomenda-se atenção ao grau de saturação do solo e nos sinais construtivos.

Segundo o órgão, os moradores devem ficar atentos aos sinais de que os deslizamentos podem acontecer. Os principais são trincas nas paredes, água empoçando no quintal, portas e janelas emperrando, rachaduras no solo, água minando da base do barranco e inclinação de poste ou árvores. Veja:⠀⠀⠀

- Coloque calha no telhado da sua casa.
- Conserte vazamentos em reservatórios e caixas-d'água.
- Não jogue lixo ou entulho na encosta.
- Não despeje esgoto nos barrancos.
- Não faça queimadas.

Veja o acumulado de chuvas até as 11h desta segunda:

Barreiro: 208,6 (115,0%)
Centro Sul: 286,8 (158,1%)
Leste: 219,6 (121,1%)
Nordeste: 250,0 (137,8%)
Noroeste: 305,2 (168,2%)
Norte: 209,0 (115,2%)
Oeste: 208,0 (114,7%)
Pampulha: 226,4 (124,8%)
Venda Nova: 250,6 (138,1%)

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