O comércio não essencial fechou as portas, por tempo indeterminado, às 14h deste sábado (6). A medida foi tomada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) na tentativa de conter o avanço da Covid-19 em Belo Horonte. Considerada necessária pelo comitê de monitoramento da doença na capital, a decisão pegou os comerciantes de surpresa. 

"Foi repentino demais e, na minha opinião, sem planejamento. A insegurança nos ronda a todo momento, mas a gente tava tranquilo e o sentimento foi de susto e decepção como foi anunciado". O desabafo é da empresária Franciele Mendes, dona de uma rede de lojas de roupas na capital e região metropolitana. "Eu estava no Brás, em São Paulo, fazendo compras para abastecer as lojas. Investi R$ 300 mil em mercadorias para o lançamento da coleção Outono-Inverno". 

Mesmo com as sucessivas altas nos índices que monitoram a pandemia do novo coronavírus, na última quarta-feira (3), o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, afirmou que a cidade não sofreria mudanças no funcionamento. Por isso, o anúncio de um novo fechamento frustou os planos de Franciele. "Neste sábado, eu tinha uma entrevista para uma vaga de caixa. Eu cancelei o processo seletivo porque não vou contratar sem previsão".

Franciele conta que esse é o terceiro "baque" desde o início da pandemia e que já demitiu, até agora, cinco de 20 funcionários. "A gente tentou o máximo para manter, mas financeiramente ficou inviável. Vamos sentar e ver a parte administrativa e nos organizar. Se pelo menos a gente tivesse uma previsão. É um cenário muito incerto e vou ter que fazer novos cortes".

A empresária disse que também se preocupa com o avanço da Covid-19 na cidade, mas defende que a aglomeração não está no comércio e sim nos ônibus e nas festas clandestinas "Não tem fiscalização na periferia, apenas na região Central. Não sou contra o fechamento, mas podia ter feito de outra forma com redução de horário e outras restrições".

Fechamento

Com a taxa de ocupação de UTIs em alerta vermelho, em 81% nessa sexta-feira (5), 116.419 casos confirmados e 2.815 mortes pela doença em BH, Kalil justificou o novo lockdown: "São números absolutamente assustadores. Voltamos à estaca zero".

Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte, disse que compreende a decisão tomada pelo prefeito, mas criticou a forma como foi feita. "Lamentamos somente que esse anúncio tenha sido feito menos de 24 horas antes do fechamento. Isso prejudica ainda mais a situação do comércio".

 

 

Assim como Franciele, o representante dos lojistas também criticou a fiscalização para coibir eventos. "As aglomerações não estão acontecendo em lugares fechados. Estão acontecendo em lugares públicos. Se alguém liga para o 156 para denunciar uma aglomeração, o atendente fala que a vistoria será feita em cinco dias. A fiscalização tem que agir na hora", pontuou o presidente. 

Lockdown

Este é o quarto fechamento da cidade para barrar o aumento de casos do novo coronavírus. O último, em janeiro deste ano, durou três semanas antes de voltar com a flexibilização.

O decreto com a medida foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) deste sábado. Nele, as padarias aparecem com o horário de 5h a 22h, que já tinha sido ampliado em janeiro. Uma portaria, também publicada neste sábado, também prevê a suspensão de todas as feiras da cidade.