Um homem foi preso no Centro de Belo Horizonte por suspeita de ter chamado o funcionário de um restaurante de macaco, no início da tarde desta sexta-feira (27). Ele também teria resistido à prisão, desacatado policiais militares e danificado o “xadrez” da viatura, enquanto era conduzido à Central de Flagrantes 2.

De acordo com a Polícia Militar, testemunhas contaram que o homem tentou entrar no restaurante, localizado na rua Tupis, de chinelo e sem camisa. Após ser avisado por funcionários que não poderia entrar no lugar com o dorso descoberto, o homem teria tido uma discussão com funcionários, chegando a chamar um cozinheiro de macaco.

Logo após a discussão, o homem tentou fugir, mas funcionários correram atrás dele. Ao avistarem uma viatura policial, contaram o ocorrido aos militares, que rapidamente localizaram o suspeito.

O homem resistiu à prisão e os policiais tiveram de usar a força para colocá-lo dentro da viatura. Bastante alterado, o suspeito teria danificado a grade do “xadrez” do veículo. Na delegacia, o suspeito se recusou a passar aos policiais a sua identificação e prestar depoimento.

Até o momento, o cozinheiro não fez uma representação formal contra o homem por injúria racial, afirmando aos policiais estar com medo. Para que haja uma investigação sobre injúria racial, é preciso que a vítima faça uma representação.

Mas o suspeito poderá, ainda assim, responder por desobediência, desacato e dano ao patrimônio. A Polícia Civil informou que o boletim de ocorrência do caso ainda não foi finalizado e só poderá se manifestar quando assumir a investigação.

Somente neste mês, foram registrados três casos de injúria racial na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No dia 5, uma mulher foi presa depois de dizer a um taxista que não andava de carro com negros e descatar policiais. Ela foi solta dois dias depois, mediante pagamento de fiança. No dia 16, um homem foi detido depois de chamar um motorista de ônibus de macaco em meio a uma discussão de trânsito.

Na noite de Natal, outra mulher foi presa depois de chamar o porteiro do prédio onde mora, em Contagem, de "macaco fedorento". Ela foi liberada após pagar fiança de R$ 2 mil.

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