Pronto para funcionar há dois meses, o Hospital de Campanha do Expominas, no bairro Gameleira, região Oeste de Belo Horizonte, segue sem data para ser aberto. O centro médico de retaguarda, que não tem leitos de terapia intensiva, está apto a receber 768 pacientes com casos menos graves da Covid-19. Segundo o Estado, o local será utilizado apenas em 'momento muito avançado' da pandemia. Nesta terça-feira (23), Minas alcançou o recorde de 90,66% de ocupação dos leitos de UTI. 

De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, em coletiva na Cidade Administrativa na tarde desta terça-feira (23), ainda não é o momento da abertura do local. "Neste momento, quando nós identificamos algum aumento dos casos, nós ainda temos a capacidade de recrutar muitos leitos da rede instalada no Estado. Em Belo Horizonte e região Central, nós temos a condição de recrutar vários leitos de terapia intensiva e de enfermaria, inclusive os 200 leitos planejados para a rede Fhemig no Hospital Galba Veloso", declarou.

Conforme a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o centro médico de retaguarda foi dimensionado para funcionamento de baixa complexidade, o que significa que ele é preparado para casos menos graves da doença causada pelo novo coronavírus. Ao todo, são 768 vagas, divididas em três blocos: Amarelo, já pronto, com 260 leitos de enfermagem e 28 de estabilização; Azul, com 220 vagas de enfermaria; e Verde, com outros 260 leitos. Esses dois últimos blocos, porém, só serão ativados em caso de necessidade.

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Com o pico da epidemia previsto pelo Estado para o dia 15 de julho, ocupação de leitos de UTI em 90,6% e de 75,7% das vagas clínicas em uso em Minas, segundo dados do Painel do Informe Epidemiológico do Estado nesta terça, a reportagem procurou a SES para saber a previsão de abertura ou qual será o momento 'muito avançado' estimado para que o hospital passe a funcionar e aguarda retorno.

Em Belo Horizonte, segundo os dados mais recentes divulgados pela gestão municipal nessa segunda-feira (22), a taxa de ocupação de UTIs está em 85% e em 68% nas enfermarias.

Legado pós-pandemia

A estratégia do Estado de priorizar a ampliação de vagas na rede própria da Fhemig no Estado, segundo o governo, busca melhorar a estruturação de atenção aos pacientes de todo o território, permitindo que a pandemia deixe um legado à rede. Ou seja, ao priorizar a construção de vagas nos centros médicos já existentes, a administração estadual entende que os leitos ficarão disponíveis para o futuro, tornando a rede mais bem estruturada.

Segundo a SES, a criação de leitos de terapia intensiva cresceu mais de 50% entre fevereiro e junho na rede pública instalada em Minas. "Tínhamos dois mil leitos de terapia intensiva em fevereiro e já abrimos mil leitos. E estamos abrindo mais leitos", afirmou Amaral.

Como forma de ampliação de vagas, o Estado anunciou, há uma semana, 79 leitos de UTI para o interior, totalizando 2.964 vagas desse tipo. "Anterioramente, o número era 2885. Hoje, a situação da estrutura do Estado é muito superior àquela que nós tínhamos há 90 dias, quando a pandemia chegou e iniciou. De lá para cá, nós tivemos tempo de estruturarmos a saúde", explicou o governador Romeu Zema (Novo), na ocasião do anúncio.

Já para a capital, o governo informou nessa segunda-feira (22) que cinco dos 23 leitos prometidos para os hospitais Júlia Kubitschek e Eduardo de Menezes, ambos no Barreiro, estarão disponíveis nesta quarta-feira (24). Segundo o chefe da SES, a ampliação ocorrerá graças a um remanejamento interno de profissionais de saúde. Já os demais leitos prometidos, conforme o gestor, estarão disponíveis em, no máximo, 15 dias, quando terão sido finalizados os procedimentos de contratação de mais profissionais de saúde.

Isolamento é único caminho

Também em coletiva nesta terça-feira, o chefe da Secretaria de Estado de Saúde relembrou que, apesar de todos os esforços, apenas o isolamento poderá fazer com que Minas passe pelo pico com capacidade de atendimento de todos os pacientes. Segundo Carlos Eduardo Amaral, este é o único método aplicado no mundo que deu algum resultado. 

"Outras formas de isolamento tiveram, em algum momento, a explosão de casos. Em Minas, enquanto tivemos um isolamento adequado, conseguimos conter um pouco a transmissão. O isolamento é a única forma de fazermos o acoplamento da assistência ao número de casos", disse. 

Segundo Amaral, o Estado continuará dialogando com os municípios sobre a importância do reforço do isolamento social e, apenas em casos necessários, haverá indicação de lockdown (confinamento total) às regiões mais críticas. "O lockdown é uma falha do isolamento adequado. Nesse momento, indicamos que todas as regiões retornem à Onda Verde [onde apenas comércios essenciais podem abrir]. Com isso, evitaríamos o lockdown", declarou.